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Arafat deixa Ramallah sem apontar sucessor

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Arafat deixa Ramallah sem apontar sucessor

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Confinado ao quartel-general de Ramallah, na Cisjordânia, nos últimos três anos, Arafat, apesar do seu estado de saúde debilitado, não podia esperar uma recepção mais calorosa. Colaboradores políticos e muitos curiosos acompanharam o automóvel que o conduziu do quartel-general até um dos dois helicópteros militares, cedidos pelas autoridades de Amã, que o transportaram depois para a Jordânia.

Na capital jordana, várias figuras de peso do executivo palestiniano despediram-se do seu líder histórico, que durante 40 anos lutou pela criação de um Estado palestiniano. Um adeus ou um até breve ainda não se sabe. Tudo dependerá da evolução da doença. No aeroporto militar de Marqa, a Este de Amã, esperava-o um avião Falcon enviado pelo governo francês, com a sua mulher a bordo. Antes da partida para Paris, houve ainda tempo para dois minutos de conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Hani Mulki, com diplomatas franceses e árabes,acreditados na Jordânia, e com responsáveis palestinianos, nomeadamente o chefe da diplomacia Nabil Chaath. Esta viagem atribulada e por etapas não fez esquecer, no entanto, o facto de Arafat não ter designado um sucessor. A deterioração, aos 75 anos, do estado de saúde do presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) leva, inevitavelmente, os líderes palestinianos a pensarem numa solução para uma eventual morte de Arafat. De acordo com a lei fundamental da ANP, é o presidente do Conselho Legislativo Palestiniano (CLP), no exílio, que deverá tomar as rédeas do poder. No entanto, Rawhi Fattuh, é uma figura de pouco peso na política palestiniana. Para já, o primeiro-ministro Ahmed Qorei é responsável pela direcção da ANP. O seu antecessor, Mahmud Abbas fica, interinamente, à frente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).