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Queda do Muro de Berlim faz 15 anos

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Queda do Muro de Berlim faz 15 anos

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Os alemães celebraram o décimo quinto aniversário da queda do Muro de Berlim. O presidente da câmara, Klaus Wowereit, e os líderes políticos colocaram uma coroa de flores junto ao memorial da Bernauer Strasse, onde o muro começou a ser desmantelado.

Um gesto simbólico em memória daqueles que morreram ou que ficaram feridos ao tentarem chegar ao lado oeste desde a construção do Muro em 1961. A acompanhar os líderes políticos estiveram crianças pequenas demais para se recordarem dos acontecimentos do dia 09 de Novembro de 1989. No dia 09 de Novembro de 1989, Günther Schabowski, o porta-voz do SED, anuncia em conferência de imprensa que “todos os cidadãos da RDA podem ir para o oeste no dia seguinte se pediram um visa”. Em poucos minutos, os berlinenses de leste invadem os postos de controlo dos guardas fronteiriços. À meia-noite centenas de milhares passem para o outro lado do Muro o que constituiu o princípio do fim da guerra fria e o começo do processo de reunificação das duas alemanhas que termina um ano mais tarde. Quinze anos depois as cerimónias são discretas. As promessas de reunificação feitas por Helmut Kohl parecem ter caído no esquecimento. O desemprego é duas vezes maior no leste do que no oeste. O tempo de trabalho semanal é maior e os salários são mais pequenos no leste. Durante o Verão o descontentamento dos alemães de leste foi demonstrado nas ruas com as manifestações das segundas-feiras. O povo alemão ainda está dividido. A jornalista Rose Marie Gratz, conta o sentimento reinante a leste. “As pessoas do leste perderam a sua segurança ao nível social e os sonhos do oeste dourado. Deixaram de ter medo da segurança, ou da Stasi, para passarem a ter medo da insegurança social. Depois apercebem-se que os irmãos do oeste não gostam deles quando se tornam concorrentes no mercado de trabalho.” Marc Rohde é também jornalista e vê as coisas como alguém que nasceu e sempre viveu no lado oeste do território alemão. “O que incomoda muitos alemães do oeste é o facto de os de leste se estarem sempre a queixar, nunca estarem contentes e também esta espécie de onda nostálgica”. Muitos alemães de leste pensam que antes da queda do muro tudo era bom e até os produtos eram melhores do que os do oeste.” Em 15 anos, 1,25 mil milhões de euros foram enviados para leste, o que corresponde aos habituais quatro por cento do PIB anuais, mas a cisão económica não mantém-se, bem como algumas brechas no pedaço de muro ainda existente.