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A luta pelo poder na Palestina

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A luta pelo poder na Palestina

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A Constituição Palestiniana prevê um prazo de 60 dias para que seja encontrado um substituto para o presidente. Mas os líderes palestinianos nem esperaram o anúncio oficial da morte de Arafat para se sentarem à mesa das negociações.

E quando se evoca a sucessão, fala-se obrigatoriamente dos números dois da Autoridade Nacional Palestiniana e da Organização para a Libertação da Palestina, Ahmed Qorei e Mahmoud Abbas. Nenhum dos dois foi designado por Arafat. O líder histórico terá escrito um testamento, onde designa o chefe do departamento político da OLP para seu sucessor. Para além da falta de carisma, Farouk Kaddoumi só é conhecido pelas suas posições anti-americanas e anti acordos de Oslo. Se a questão da sucessão é problemática, para já os vários grupos palestinianos dão sinais de unidade. Apesar das rivalidades históricas, os 13 grupos e facções políticas palestinianas reuniram-se frente às câmaras de televisão do mundo inteiro. A Jihad Islâmica e o Hamas aceitaram mesmo falar aos meios de comunicação social. Mohamed Al-hindi, líder da Jihad islâmica: “Discutimos sobre a imagem que temos que dar ao mundo do povo palestiniano e acordámos que temos que estar unidos.” Samir Abu Zuhri, responsável do Hamas: “Temos que dar o máximo para reforçarmos a união e pedir aos outros para também o fazerem e queremos sublinhar que nenhum partido ou facção deve assumir responsabilidades sozinho neste momento crítico.” Uma mensagem de unidade do Hamas que dissimula uma ameaça. A popularidade do grupo é de tal forma grande que uma sondagem recente colocava o seu líder na segunda posição das intenções de voto, logo a seguir a Arafat. Para já nenhum líder do Hamas reclama o cargo. Uma posição diferente, e bem mais ambiciosa, tem Mohamed Dahlan. Conta-se entre líderes políticos que Arafat exigiu que Dahlan fizesse a viagem com ele para Paris, não para o ter ao seu lado, mas para o afastar das discussões sobre a sucessão. Dhalan terá estado por trás da série de raptos, de trocas de tiros e de problemas que tiveram um impacto muito negativo na Autoridade Palestiniana no Verão. Em Gaza, conseguiu reunir uma grande parte da população que saiu à rua para exigir reformas e para denunciar a corrupção no seio da ANP. Apesar dos sinais de unidade, a sucessão de Arafat anuncia-se muito dolorosa.