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Cerimónias fúnebres e enterro de Arafat repartem-se entre Cairo e Ramallah

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Cerimónias fúnebres e enterro de Arafat repartem-se entre Cairo e Ramallah

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O funeral de Estado do homem que morreu antes de ver a Palestina tornar-se um Estado independente vai ter lugar no Egipto. Uma escolha simbólica, ou não fosse este país o principal mediador nas negociações entre Israel e a Autoridade Palestiniana.

A cerimónia está agendada para as 11 horas de amanhã, menos duas horas em Lisboa, e terá lugar nas imediações do aeroporto do Cairo. Esta manhã, no Parlamento, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, decretou três dias de luto nacional, antes de pedir um minuto de silêncio. O corpo de Yasser Arafat ficará, durante esta noite, na base militar de Al Maza, nas imediações do aeroporto do Cairo, antes de ser transportado para a mesquita de Al Jala, onde irá ter lugar a cerimónia fúnebre. Os preparativos sucedem-se para receber inúmeros chefes de Estado e governantes de todo o mundo. As nações do mundo árabe estarão representadas ao mais alto nível. Os países da União Europeia, por exemplo, optaram por enviar os chefes da diplomacia. Portugal será representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, António Monteiro. Nesta óptica, a escolha do Egipto para acolher o funeral prende-se também com uma série de questões estratégicas. Desde que assinou a paz com Israel e reconheceu o Estado hebraico, o Egipto tornou-se o principal interlocutor nas negociações israelo-palestinianas. Por isso, e pela proximidade da Cisjordânia, o Cairo é o local indicado para receber os altos dignitários árabes que, quer impedidos por Israel, quer por recusarem visitar a Cisjordânia ocupada, não têm acesso aos territórios palestinianos. O corpo de Yasser Arafat segue depois de helicóptero para Ramallah, na Cisjordânia, onde será inumado no complexo da Muqata, a sede da Autoridade Palestiniana. O enterro do presidente, que respeitará todos os preceitos islâmicos, será, no entanto, feito numa urna de betão, que permita eventualmente trasladar o corpo para a mesquita de Al-Aksa em Jerusalém. O líder palestiniano sempre manifestou vontade de ser sepultado na Esplanada das Mesquitas, algo a que Israel se opõe.