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Campanha ucraniana acentua divisão este-oeste e chega ao Iraque

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Campanha ucraniana acentua divisão este-oeste e chega ao Iraque

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Não será exagerado dizer que a Ucrânia independente nunca teve uma campanha eleitoral tão agressiva e disputada como a que terminou nesta sexta-feira. O país vai escolher o próximo presidente amanhã, na segunda volta do escrutínio.

O homem que representa a oposição, Viktor Iushchenko, garante que se as fraudes da primeira volta se repetirem e se a vitória lhe for retirada dessa forma, o combate passa para as ruas. O candidato pró-ocidental fez um outro anúncio determinante: se ganhar, os 1600 soldados ucranianos no Iraque vão ser retirados, à semelhança do que a Polónia vai fazer, em Janeiro. Do outro lado da barricada está o primeiro-ministro Viktor Ianukovitch, o candidato pró-russo apoiado pelo actual presidente, Leonid Kuchma, e por Vladimir Putin. Aliás, o aprofundamento das relações com Moscovo tornou-se a carta de trunfo para Ianukovitch, que promete tornar o russo a segunda língua do Estado e facilitar a obtenção da dupla-nacionalidade russa-ucraniana. Para alguns estudantes são promessas que podem seduzir uma parte significativa do eleitorado. O desfecho passa, obviamente, por um de dois cenários: ou a Ucrânia se vira para a Europa com Iushchenko, ou para Leste, mantendo-se sobre a esfera de influência do Kremlin. Milhares de observadores internacionais estão preparados para vigiar o escrutínio. Kuchma, o presidente cessante, apela à calma. Mas não ajudou o facto de ter rejeitado uma lei que obrigava os eleitores a votarem na localidade de inscrição, o que, em vários casos, não aconteceu na primeira volta, levantando as acusações de fraude.