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Ucrânia: Eleições voltam a ser manchadas por fraudes

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Ucrânia: Eleições voltam a ser manchadas por fraudes

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O centro de Kiev foi invadido, durante a noite, por apoiantes do candidato da oposição, Viktor Iushchenko, que as sondagens à boca das urnas colocaram na dianteira. Mas a maratona eleitoral da Ucrânia está a ser, mais uma vez, abalada por suspeitas e acusações. Iushchenko já veio anunciar que houve “falsificações” nesta segunda volta do escrutínio presidencial, uma vez que os primeiros resultados oficiais contrariam as sondagens e atribuem a vantagem ao primeiro-ministro, Viktor Ianukovitch.

Há registo mesmo de confrontos envolvendo o candidato pró-ocidental quando estefoi pedir explicações à sede da Comissão Eleitoral. Tudo isto levanta um risco concreto: aqueles que começaram por celebrar, numa primeira fase, a eventual vitória de Iushchenko, podem seguir os seus apelos e transformar os ajuntamentos em gigantescas manifestações. Não é a primeira vez que o homem da oposição lança estes apelos. Durante a campanha, acusou a equipa do rival Ianukovitch de preparar manipulações na contagem dos votos, tal como, garante, aconteceu na primeira volta. As acusações de fraude na Ucrânia podem passar por situações quase caricatas. Um grupo de estudantes pró-Iushchenko bloqueou um autocarro em Kiev, argumentando que o veículo estava a ser utilizado por eleitores que se deslocavam a várias localidades para multiplicar os votos no primeiro-ministro. Os representantes da oposição denunciam um sem-número de irregularidades e citam exemplos: nos bastiões de Ianukovitch, a taxa de participação atingiu níveis inéditos, entre os 88% e os 97%. Os observadores internacionais confirmam que esta segunda volta foi manchada por situações obscuras e alguns elementos canadianos relatam que o seu trabalho foi perturbado por tentativas de intimidação da polícia. No entanto, os observadores realçam que as fraudes não são um exclusivo das hostes do candidato do poder. As atenções mobilizam-se agora para o trabalho da Comissão Eleitoral. Oficialmente, o prazo para a divulgação dos resultados finais vai até 6 de Dezembro. O presidente cessante, Leonid Kuchma, apelou à calma. Kuchma, que apoia o chefe de executivo Ianukovitch, deixou implícita a hipótese de uma intervenção maciça das forças da ordem. E, nas suas palavras, essa seria a consequência em caso de acções por parte de uma “minoria agressiva que quer ditar a lógica política.”