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Ucrânia: uma revolta com tons de revolução

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Ucrânia: uma revolta com tons de revolução

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A oposição ucraniana viveu uma das mais longas noites da história recente do país, acampada na Praça da Independência, em Kiev. Milhares de apoiantes de Viktor Yushchenko ocupam desde ontem o centro da capital denunciando como fraudulento o resultado da segunda volta das eleições presidenciais.

O candidato pró-ocidental, oficialmente derrotado pelo antigo primeiro-ministro pró-russo Viktor Yanukovitch apelou aos seus apoiantes para que se mantenham nas ruas até que as autoridades aceitem impugnar os resultados. A nível internacional apenas a Rússia felicitou Yanukovitch pela vitória. A União Europeia mostrou-se inquieta com as irregularidades expressas pela OSCE que supervisionou o escrutínio. Washington ameaça aplicar sanções ao país caso o resultado das eleições não seja revisto. A deputada Ioulia Timochenko, outra figura da oposição, apelou por seu lado os manifestantes a concentrarem-se ao início da manhã frente ao edifício do Parlamento, de forma a pressionar os deputados a votar uma moção de censura à Comissão Eleitoral. Treze anos depois do país obter a independência do bloco soviético, o resultado das presidenciais de domingo dividiu literalmente a Ucrânia entre o Oeste do país, católico e pró-ocidental e o Leste, ortodoxo e pró-russo. Em cidades a oeste como Lvov e Ivano-Frankovsk, Yushchenko foi mesmo declarado vencedor, enquanto a Leste sucedem-se as manifestações de apoio ao antigo primeiro-ministro. Em Kiev, um importante dispositivo de assistência aos manifestantes foi montado na Praça da Independência e principais avenidas da capital. A polícia ameaça no entanto intervir para dispersar os manifestantes. O contestado vencedor das presidenciais na Ucrânia, Viktor Yanukovitch minimizou, por seu lado, as manifestações em Kiev, atribuindo-as a um grupo de radicais que, segundo ele pretendem dividir o país, utilizando-se da violência e de acções ilegais. Num momento em que os resultados oficiais apontavam a vitória do delfim do antigo chefe de estado Leonid Kuchma, com 49% dos votos, Yanukovitch endereçava-se ontem, ao final do dia, ao país, através da televisão pública, apresentando-se como o novo presidente. O antigo primeiro-ministro de 54 anos, tinha sido derrotado na primeira volta das eleições no final de Outubro, e era dado como perdedor pelas sondagens, um factor apontado pela oposição para falar agora de fraude eleitoral. Na zona oriental do país milhares de manifestantes desceram às ruas para manifestar o seu apoio ao candidato pró-russo. Na cidade natal de Yanokovitch,Donestk, mais de dez mil pessoas concentraram-se para o aclamar presidente.