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Ucrânia é o palco da divisão entre Leste e Oeste

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Ucrânia é o palco da divisão entre Leste e Oeste

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A crise política na Ucrânia promete abalar a cimeira União Europeia-Rússia que se realiza hoje em Haia. Desde o início de Novembro que Bruxelas tem vindo a exprimir a sua inquietação com o alegado desrespeito das regras eleitorais, tendo já falado de fraude no sufrágio. Ontem Durão Barroso admitia em Bruxelas que “não estava satisfeito com o resultado das eleições na Ucrânia”, e que iria levar o assunto à cimeira em Haia onde se deverá encontrar com Vladimir Putin.

Uma posição que pode perturbar ainda mais as relações diplomáticas entre a União e Moscovo, mesmo que a prudência seja para já a palavra de ordem. Putin por seu lado, não tem poupado críticas à ingerência de Bruxelas na política das antigas repúblicas soviéticas, um dos temas previstos na agenda da reunião de hoje. Evitando uma confrontação directa com Moscovo, a União prepara uma iniciativa, protagonizada pelo ministro dos negócios estrangeiros alemão Joschka Fischer, para pedir à Ucrânia uma recontagem dos votos supervisionada pela OSCE. Uma saída da crise defendida igualmente pelo representante diplomático da União, Javier Solana que afirmou ontem que, “a comissão eleitoral apresentou resultados sem tomar em conta a hipótese de fraude, a União vai ver o que pode fazer neste ponto, mas de qualquer forma vou ser claro, as relações entre a União e a Ucrânia estão dependentes das relações entre a Ucrânia e a democracia”. A posição mais firme continua a vir de Washington. Mesmo correndo o risco de inflamar as relações com o aliado russo, o secretário de estado demissionário Collin Powell advertiu ontem o governo de Kiev desta forma: “A ausência de uma acção imediata e responsável poderá acarretar graves consequências para a relação entre os dois países, assim como para as ambições de Kiev de ser integrada num eixo euro-atlântico”.