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A crise dos "100 dias"

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A crise dos "100 dias"

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Foi em Julho que tudo começou. Durão Barroso deixa o governo e o país para se lançar numa nova aventura política. A presidência da Comissão Europeia era um cargo ao alcance do então primeiro-ministro. Sampaio aceita a demissão. Barroso voa para Bruxelas.

Durão Barroso: “deixo as funções de primeiro-ministro num momento em que há condições de estabilidade política no país” E em nome da estabilidade, o Presidente da República toma uma decisão controversa – não convoca eleições antecipadas como esperavam os socialistas e cerca de metade dos portugueses. Jorge Sampaio: “Decidi dar à actual maioria a possibilidade de formar um novo governo. O convite será feito ao presidente do Partido Social Democrata” Barroso deixa o lugar vago, Santana Lopes assume a chefia do governo.A nomeação do antigo presidente do Sporting para primeiro-ministro mereceu uma chuva de críticas vindas de quase todos os sectores, inclusivamente de dentro do próprio partido. Acusam-no de falta de formação económica essencial para seguir uma política de rigor orçamental e de controlo das finanças públicas. Um dos primeiros sintomas de que algo poderia começar a correr mal para o governo de Santana Lopes foi a polémica que envolveu a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI. Mais tarde, o professor afirmou ter havido uma tentativa de pressão para que moderasse os comentários anti-governo. Santana Lopes sempre o negou mas o fantasma da censura vai ficar colado a este episódio. Também o escândalo da colocação de professores neste ano lectivo não ajudou a melhorar a imagem do governo liderado por Santana. Mais de duas semanas depois da data prevista para o início das aulas muitos professores ainda não sabiam onde tinham sido colocados. Pedro Santana Lopes, que tanta vez criticou a governação socialista de António Guterres, conseguiu um feito único. O grau de descontentamento geral entre os portugueses é o maior de sempre e ultrapassa os piores momentos de Guterres. O jogo político em Portugal ganha agora outro impulso. O anuncio de eleições legislativas antecipadas poderá levar eternos potenciais candidatos a reaparecer em cena, mas desta vez é outro socialista – José Sócrates – quem, de acordo com as sondagens, parte na primeira linha da corrida.