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Protocolo de Quioto não vai salvar o planeta

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Protocolo de Quioto não vai salvar o planeta

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A Terra vai de mal a pior e as tomadas de consciência dos últimos anos, não serão suficientes para a salvar se continuarem ao nível das declarações de intenções. Daqui a 50 anos, glaciares, ilhas e cidades terão desaparecido e a nossa saúde não voltará a ser a mesma. Apesar dessas certezas, o problema continua a ser tratado de forma ligeira, a nível mundial.

Em 1997, o Protocolo de Quioto acalentava esperanças. Os países industrializados comprometiam-se a reduzir as respectivas emissões de gás em cinco por cento, relativamente aos valores de 1990 e até 2012. Sete anos mais tarde, o acordo não está em vigor por falta de assinatura dos mais poluentes. A ratificação do texto do protocolo pelo parlamento russo, em Outubro passado,veio dar um novo fôlego. Moscovo dá o impulso sabendo que retira mais vantagens políticas do que económicas. Sem esta assinatura, Quioto era letra morta. De acordo com o texto, era preciso o aval de 55 países industrializados, que produzissem pelo menos 55% dos gazes de efeito de estufa. Um objectivo difícil de alcançar com o abandono do protocolo por parte dos Estados Unidos, em 2001. Só a Rússia, com os seus 17% de emissões de gases poderia salvar o protocolo. Mas este gesto só por si, não será suficiente. O que quer que se decida nos próximos anos, o futuro do planeta não deixará de depender dos Estados Unidos. Ora, os próximos quatro anos não prometem surpresas nesta matéria, com a reeleição de George Bush. Washington critica o facto de nada estar previsto para os países em vias de desenvolvimento, responsáveis já por 40% de emissões de gás para a atmosfera e com previsões de, até 2025, ultrapassarem os países industrializados. É uma pescadinha de rabo na boca, porque não será fácil convencer as economias emergentes a reduzir as emissões de gazes – com os riscos que isso comporta em termos de desenvolvimento -, e que se perguntam: porquê fazê-lo se os Estados Unidos, responsáveis por 36% dos gases nocivos lançados na atmosfera, se recusam a comprometer-se com Quioto.