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Rússia desafia Europa e Estados Unidos

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Rússia desafia Europa e Estados Unidos

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Nova corrida às armas, com o lançamento dum programa de mísseis com ogivas nucleares e a adaptação de mísseis de cruzeiro de longo alcance. Reforço das relações bilaterais com a Turquia depois de ter acusado o país de fechar os olhos às actividades dos militantes chechenos. As recentes declarações de Vladimir Putin configuram um crescendo da tensão, mais do que com os Estados Unidos, nas relações entre a Rússia e a União Europeia. O presidente russo tem sido profícuo em recados e críticas aos governos ocidentais pela ingerência na Ucrânia depois dele próprio ter apoiado o candidato do poder.

Putin defende agora para a comunidade internacional “o papel de mediador” porque o “destino de um país” está apenas “nas mãos do seu povo”. Com a anulação da segunda volta do escrutínio presidencial na Ucrânia, Putin sofreu uma derrota pessoal, como explica o director do Centro Carnegie de Moscovo: “Julgo que teria sido do interesse da Rússia, ter feito um jogo mais complexo, de forma a que não saísse derrotada independentemente do resultado das eleições. Mas a escolha foi outra e mal sucedida. No entanto o presidente Putin decidiu este rumo e não penso que o falhanço vá fazer dele um parceiro mais flexível nas relações quer com os Estados Unidos, quer com a Europa”. Putin tem reforçado os poderes do Kremlin, em especial depois do sequestro da escola de Beslan e conta com o apoio da Duma na política internacional. O Parlamento não hesitou em seguir o chefe a aprovar, na sexta-feira, um voto de protesto contra a ingerência estrangeira na Ucrânia. O vice-presidente da Duma, o populista Vladimir Jirinovski, declarou: “É uma humilhação que venham de Bruxelas dar-nos lições” Mas se pensarmos em termos de acordos comerciais, nomeadamente na área da energia ou na luta contra o terrorismo, nem a Europa, nem os Estados Unidos, nem a Rússia têm interesse que a tensão se prolongue por muito tempo. E ganhe quem ganhe as eleições na Ucrânia, tanto a Rússia como o Ocidente terão um papel fundamental a desempenhar no desenvolvimento do país.