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O factor Chipre nas negociações de adesão da Turquia à UE

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O factor Chipre nas negociações de adesão da Turquia à UE

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Sete meses depois dos cipriotas turcos terem ficado fora da União Europeia, o estatuto da ilha de Chipre, dividida desde 1974, ameaça voltar a atravessar-se no caminho que separa a Turquia da adesão aos vinte e cinco.

Como afirma Rusen Ergetch, especialista de direito constitucional da Universidade Livre de Bruxelas, “o problema de Chipre vai certamente regressar à mesa das negociações de adesão, sob a forma de uma questão espinhosa que necessita de resposta: a Turquia terá que reconhecer Chipre, a administração grega de Chipre, o governo grego de Chipre, na medida em que este executivo tem um assento no Conselho Europeu e é já membro da União?”. Apenas a parte grega da ilha, a sul, aderiu em Maio à União Europeia. A norte do território a presença de 30 mil soldados turcos desde 1974 continua a ser simbólica do apoio dado por Ancara à auto-proclamada República Turca de Chipre Norte. Um território irredutível que no entanto aceitou o plano de reunificação da ilha, proposto pela ONU e referendado no dia 24 de Abril. Mas as rivalidades entre cipriotas gregos e cipriotas turcos falariam mais alto do quesentimentos pró-europeus dos dois lados. Os cipriotas gregos disseram não ao plano deixando os seus vizinhos às portas da União. Sete meses depois, a Turquia continua a ser o único país no mundo a nãoreconhecer o governo cipriota-grego de Tassos Papadopolos. Um executivo que por seu lado poderá utilizar o seu direito de veto enquanto membro da União para bloquear as negociações de adesão com Ancara. Rusen Ergec lembra que “o problema do reconhecimento da República de Chipre pode ser colocado, e nesse caso a Turquia poderá dar um passo em frente, nessa direcção. Em troca, se os gregos aceitam a adesão da Turquia à UE poderão pedir ao país algumas concessões relativas por exemplo à revisão de certos pontos do plano de reunificação da ONU que não lhes agradam”. Mas para o primeiro-ministro turco Tayyp Erdogan o reconhecimento da República de Chipre está fora de questão antes do conselho europeu de dia 17. Ancara argumenta que esta decisão não faz parte dos critérios de adesão de Copenhaga, e que antes de mais quer ver solucionadas as divisões na ilha de Chipre.