Última hora

Última hora

Saída de Blunkett baralha estratégia eleitoral de Blair

Em leitura:

Saída de Blunkett baralha estratégia eleitoral de Blair

Tamanho do texto Aa Aa

O governo de Tony Blair não está, definitivamente, nos seus dias. De um momento para o outro, o país vê títulos nos jornais como “Destruído pela mulher que amava” e assiste à demissão de um dos homens fortes do executivo.

Sai David Blunkett de cena e o primeiro-ministro fica mais isolado na organização das eleições legislativas, que vão decorrer supostamente na Primavera do próximo ano. Agora Blair fica desamparado com o afastamento do ministro do Interior, a figura que tinha declarado guerra ao terrorismo, um tema de campanha incontornável. O analista político John Kampfner explica que Blunkett era um trunfo no executivo britânico, era conhecido pela sua sinceridade, sendo, por isso, “quase insubstituível”. Foi a este estatuto que chegou um homem que nasceu cego, no seio de uma família pobre de Sheffield, órfão de pai aos 12 anos. Chegou ao topo da carreira política, depois de uma ascensão meteórica, destacando-se através da sua forte personalidade e de expressões irónicas que gosta de repetir como “vocês abriram-me os olhos”. Um sentido de humor muito próprio e uma franqueza que, muitas vezes, atingiu as suas fileiras. Recentemente, publicou uma biografia na qual não poupou colegas como Jack Straw ou Gordon Brown. Os Tories chamaram-lhe uma prenda de Natal antecipada. David Davis, ministro-sombra de Blunkett, dos Conservadores, explica que tudo isto acontece “na pior altura possível para Blair”, porque o governo trabalhista prepara a estratégia para as eleições, tendo em conta todas as decisões tomadas. Agora, Charles Clarke, transferido da Educação para o Interior, vai ter de executar essas decisões, “o que não será fácil”, concluiu Davis. Extremamente reservado depois do divórcio em 1990, foi exactamente a vida privada que acabou por provocar o afastamento de Blunkett, o qual muitos chegaram a ver como um possível primeiro-ministro.