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Turquia abre a porta ao reconhecimento de Chipre em troca das negociações

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Turquia abre a porta ao reconhecimento de Chipre em troca das negociações

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Recep Tayyip Erdogan considerou que a Cimeira foi um sucesso. O primeiro-ministro turco saiu de Bruxelas com a certeza de que as negociações de adesão de Ancara à União Europeia vão começar a 3 de Outubro de 2005.

Em contrapartida, o líder turco comprometeu-se, até lá, a alargar aos dez novos Estados membros da União – Chipre incluído – o acordo aduaneiro assinado em 1963 com a então CEE. Isto significa um reconhecimento de facto da República de Chipre. Mas Erdogan fez questão de frisar que não é um “reconhecimento formal”. Subtilezas linguísticas para iludir um assunto que fere a sensibilidade turca – e também a grega – desde 1974. Mas a própria União Europeia está consciente da diferença de terminologia, como explicou o primeiro-ministro holandês e presidente em exercício da União, Jan Peter Balkenende: “Sabemos que, do ponto de vista legal, não é o que se pode chamar um reconhecimento formal, legal. Não é esse o estatuto, mas é um passo que pode originar progressos nesse campo”. Os Vinte e Cinco conformam-se, pois, com o reconhecimento implícito de Chipre por parte da Turquia. O primeiro passo para um futuro comum com este grande país, maioritariamente muçulmano, foi agora dado. O próximo passo é convencer a opinião pública, muito reticente nalguns Estados membros. Áustria e França já anunciaram a intenção de realizar referendos antes da adesão – o que ainda vai demorar muitos anos.