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Washington "decepcionada" com evolução do caso Iukos

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Washington "decepcionada" com evolução do caso Iukos

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A rocambolesca compra do Baikalfinansgroup pela Rosneft merece um duro comentário da administração norte-americana.Principalmente depois de se saber que a Rosneft se vai provavelmente fundir até final de Janeiro com a também pública Gazprom.A passagem indirecta do principal activo da Iukos para as mãos do Estado russo causou decepção em Washington, que considera que o assunto não foi gerido com abertura e transparência.Aliás, para o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Adam Ereli, este é um sinal negativo para os investidores estrangeiros e poderá ser pernicioso para o papel da Rússia na economia global.No entanto, a este respeito a administração Bush é acusada de excessiva brandura devido aos interesses que tem com a Rússia noutros âmbitos.

Alheio às vozes discordantes, Vladimir Putin defendeu, no tradicional encontro de final de ano com os jornalistas, que “tudo foi feito de acordo com as regras do mercado. Como já tinha dito, as empresas públicas, detidas a cem por cento pelo Estado, podem, como qualquer outra, participar neste tipo de leilões. Limitaram-se a exercer esse direito”. A compra do grupo Baikal, o arrematador surpresa do leilão da Iuganskneftegaz, pela Rosneft é o primeiro passo para o desmantelamento da Iukos. Desta forma, o Kremlin nacionaliza uma parte importante da produção de crude russa, apostado que está em reverter as caóticas privatizações de sectores estratégicos da economia verificadas nos anos 90, após o desmoronamento da União Soviética. Uma colossal dívida ao fisco desencadeou a crise do gigante petrolífero Iukos, numa manobra que é considerada como uma tentativa do Kremlin para silenciar as ambições políticas do patrão da Iukos, Mikhail Khodorkovski, detido há mais de um ano. A empresa colocou-se sob a alçada de um tribunal de Houston, no Texas, que vai voltar a avaliar o processo em Janeiro. Mas com a passagem da Iugansk para controlo público, poderá deixar de poder ser regulado judicialmente devido à imunidade soberana do Estado russo.