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Auschwitz na memória de um soldado russo

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Auschwitz na memória de um soldado russo

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Foi a 27 de Janeiro de 1945 que os soldados do Exército Vermelho chegaram a Auschwitz e depararam com o horror dos campos de concentração e extermínio. Era a designada frente ucraniana do comando, chefiada pelo marechal Ivan Konev. O exército russo tinha já libertado a cidade com o mesmo nome, a cerca de três quilómetros de distância.

Yakov Vinnichenko era um jovem que se tinha juntado ao exército quatro anos antes e foi dos primeiros a testemunhar as condições em que se encontravam milhares de pessoas. Muitos outros prisioneiros tinham já sido obrigados pelas forças nazis a partir. Vinnichenko conta: “Eles tentavam apoiar-se uns aos outros. Alguns agarravam-se a mim a chorar. Outros tentavam agarrar-nos para nos seguirem e nós continuávamos, não podíamos parar, tínhamos que continuar”, acrescentando: “Fomos continuando e no segundo dia organizámos duches e cozinhas no campo para alimentar as pessoas. Estavam tão enfraquecidas, não podiam andar, definhavam. Sessenta anos depois, Vinnichenko não se liberta das imagens que lhe ficaram gravadas na memória. Os soldados russos encontraram nos campos apenas os que, de tão frágeis, não podiam sequer caminhar. O jovem soldado de então pergunta-se ainda hoje: como foi possível? “Como puderam aquelas pessoas ser torturadas até ficarem assim, apenas pele e ossos, de tal forma que nem sequer podiam pôr-se em pé. O tempo estava muito húmido, quente e nem sequer havia neve para usar em vez de água, apenas lixo. Era horrível. Impossível de descrever”. Impossível de descrever e de imaginar. As forças nazis fizeram tudo para deixar do holocausto o mínimo de vestígios possível, mas ficaram imagens como estas para lembrarem ao mundo a dimensão do horror.