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Vaticano: o círculo de poder em torno de um Papa debilitado

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Vaticano: o círculo de poder em torno de um Papa debilitado

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Aos 84 anos de idade, o poder supremo de João Paulo II à frente de mais de mil milhões de católicos contrasta com o seu debilitado estado de saúde.

Distante da retórica com que abriu brechas na “cortina de ferro”, o Papa encontra-se seriamente limitado pela doença de Parkinson, diagnosticada em 92 e agravada por sucessivas complicações de saúde. Segundo o direito canónico, João Paulo II pode abdicar do cargo, mas enquanto não toma a decisão, inédita há quase 600 anos na Igreja Católica, a sua manutenção no poder aumenta a sua dependência de figuras marcadamente conservadoras como o cardeal alemão Ratzinger. Para Wilton Witt, especialista em temas religiosos, “Ratzinger é actualmente um dos homens mais importantes do Vaticano, o cão de guarda da fé que tenta tudo por tudo para que o Papa não abdique”. No círculo de poder em torno do Sumo Pontífice encontra-se ainda o número dois do Vaticano, o italiano Angelo Sodano que actualmente assegura a liderança da Igreja em conjunto com o secretário pessoal do Papa, o bispo polaco Stanislaw Dziwisz. Wilton Witt precisa que, “Sodano, é o homem que faz mexer a máquina do Vaticano há várias décadas tendo construído uma imagem de prestígio em toda a parte onde a Igreja está presente”. Segundo os cânones da Igreja, apenas o Papa tem o direito de realizar qualquer alteração ao nível de dogma, doutrina, fé ou moral cristã. Resta agora saber se um líder debilitado pode responder pelas suas próprias palavras quando não controla as suas acções e se a resignação não se trata apenas de uma formalidade.