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Nova ópera do Bolshoi envolta em polémica

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Nova ópera do Bolshoi envolta em polémica

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Ontem à noite foi dia de estreia no famoso teatro Bolshoi. A ópera “Os filhos de Rosenthal” já tinha sido mostrada no dia anterior, em ante-estreia, para os deputados da Duma, como é tradição. Alguns não gostaram do que viram e a controvérsia estalou.

Com libreto de Vladimir Sorokine e música de Leonid Dessiatnikov, a ópera fala duma suposta clonagem de compositores famosos como Mozart, Verdi e Wagner, cujas cópias genéticas partilham a vida com prostitutas e marginais. No dia da estreia, jovens do movimento “Em frente juntos”, grupo próximo de Putin, manifestaram-se em frente ao velho teatro para protestar contra o espectáculo, que acusam de pornográfico e escatológico. Alguns deles exigem a demissão do director do teatro e o cancelamento das récitas e afirmam que a Duma tem o direito de supervisionar o reportório do Bolshoi. Um dos elementos do movimento “Em frente juntos”, que encabeçava os protestos, disse não compreender como uma companhia repeitável aceitava abrir o palco a um pornógrafo. Os manifestantes acusam ainda o director do teatro de ter traído a essência do Bolshoi que, por tradição, apresentava produções de obras clássicas. Críticas que foram refutadas por Anatoly Iksanov. Segundo o director do Bolshoi, “uma das missões do Bolshoi é divulgar a ópera e o seu desenvolvimento mas, infelizmente, nenhuma foi encomendada nos últimos 30 anos e mesmo as que foram nunca chegaram a este palco, por isso quem melhor que o Bolshoi para divulgar agora novas obras”. Em Moscovo especula-se que estas manifestações são instigadas por membros da Duma, movidos por interesses de construtores civis afastados do concurso para a renovação do velho teatro de 250 anos, que deverá fechar proximamente para restauro.