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Wolfowitz: cara ou coroa?

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Wolfowitz: cara ou coroa?

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As paredes do Banco Mundial tremeram quando surgiu a candidatura de Paul Wolfowitz. Isto é o que dizem os seus detractores. A esquerda americana é-lhe hostil e os europeus, nos bastidores, franzem o sobrolho, mas o seus aliados recordam que se trata de um homem sensível ao sofrimento dos outros.

Para Wolfovitz, “A oportunidade de trabalhar para que milhões de pessoas deixem de viver com menos de um dólar por dia, que milhões de pessoas abandonem a sua condição de probeza absoluta, é uma responsabilidade excitante e um verdadeiro desafio.” De visita aos países afectados pelo maremoto no Oceano Índico, Wolfowitz foi incapaz de conter os sentimentos. O ex-embaixador americano na Indonésia conhece bem o Sudeste Asiático e desempenhou mesmo um papel importante na transição democrática nas Filipinas. Wolfowitz é tido pelos analistas como uma moeda de duas faces. Mas é geralmente pelo reverso da medalha que é mais conhecido. Exemplo, a caricatura da revista britânica The Economist, que o toma por um “velociraptor”, um feroz e agressivo dinossauro. Iniciado na esquerda intelectual, Wolfowitz vira à direita nos anos 70 e impõe-se como “O” teórico dos “Neo-Conservadores” com o fim da Guerra Fria. O mundo deixa então de ser bipolar, uma ocasião única para impor a hegemonia americana, o seu modelo democrático e acabar com as ditaduras espalhadas pelo mundo. Partidário duma intervenção no Iraque para derrubar Saddam Hussein, o 11 de Setembro dá-lhe a oportunidade de manifestar as suas convicções: “Há milhares de pessoas que estiveram implicadas nesses crimes e que tentam agora matar mais americanos para trazer de volta o antigo regime, mas isso não vai acontecer.” Um novo regime, de acordo com o modelo americano. Este é o sonho que tem guiado a carreira do número dois do Pentágono. Por isso, o que os europeus mais receiam agora é o seu unilateralismo. E aos comandos do Banco Mundial vai ter de provar que é capaz de aceitar outros valores.