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Tettamanzi poderá ser o Papa do compromisso

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Tettamanzi poderá ser o Papa do compromisso

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Chamam-lhe o “pressentido”, mas o “sorridente” assenta-lhe ainda melhor. O cardeal arcebispo de Milão, Dionigi Tettamanzi, respira, indubitavelmente,jovialidade. Aos 71 anos, é considerado favorito entre os papabili italianos, surgindo como o homem do compromisso.

Cardeal desde 1998, João Paulo II nomeou-o, em 2002, para a cúpula da diocese de Milão, a maior da Europa. Uma nomeação que testemunha a estima que o Santo Padre lhe dedicava e que lhe valeu, imediatamente, o título de “pressentido” e ao mesmo tempo desencadeou invejas no seio da Cúria Romana. O seu perfil corresponde ao retrato, desenhado pelos seus pares, daquele que deve ser o novo Papa. Próximo das pessoas, Tettamanzi é um homem do terreno que incarna a continuidade de João Paulo II. É, ao mesmo tempo, pastor, intelectual e político. Este teólogo, nascido em 1934, em Renate, próximo de Milão, foi padre durante longos anos, antes de ser nomeado arcebispo, em 1989. Pequeno, gorducho e sempre sorridente, é muitas vezes comparado a João XXIII, o Papa bom, do qual dá ares. Conservador, centrou-se durante muito tempo na moral familiar, sobre a qual defendeu posições muito tradicionais, mas é apreciado pelos reformadores pelas suas posições quanto à mundialização e ao neo-liberalismo. Em 2001, por ocasião da cimeira dos anti-mundialistas, em Génova, levanta a voz para defender os direitos dos pobres. As posições que defende têm-lhe valido a classificação de esquerdista ou revolucionário entre os cardeais mais conservadores. É, sem dúvida, um grande comunicador, aberto ao mundo e à evolução social. A sua principal fragilidade neste processo é não falar nenhuma língua estrangeira e não ter experiência internacional.