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Britânicos de Bruxelas de olhos postos nos referendos da Constituição

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Britânicos de Bruxelas de olhos postos nos referendos da Constituição

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Apesar de as questões europeias não terem grande peso na campanha eleitoral do Reino Unido, a comunidade britânica que vive em Bruxelas sabe que um dos maiores desafios do próximo governo será o referendo sobre a Constituição Europeia.

Os partidários dos trabalhistas – que, aqui, em Bruxelas, organizam a campanha – sabem-no bem. Entre eles, David Earnshaw, que está de olhos postos nos referendos dos outros países também. “Muito dependerá do que acontecer a 29 de Maio, em Franca, primeiro, e depois a 1 de Junho, na Holanda. Blair e nós, trabalhistas, vamos ter de lutar pelo sucesso do referendo. É essencial para todo o programa de governo dos Labour”, diz este antigo candidato trabalhista. Quanto aos Tories, obviamente, afastam-se das posições pró-europeístas dos rivais trabalhistas, assim como dos liberais democratas. O eurodeputado conservador Timothy Kirkhope comenta o programa europeu dos Tories: “Há muitas coisas nas quais, actualmente, a Europa tem competências e que nós gostaríamos que voltassem para os Estados membros, para que os parlamentos nacionais tomassem essas decisões. Penso que temas como a pesca, e outros, devem ser afastados da burocracia da Europa.” Mas se a maioria dos Tories pensa que os poderes de Bruxelas podem ser reduzidos, John Palmer – director do Centro de Política Europeia, sedeado em Bruxelas – acredita, pelo contrário, que o Reino Unido deve aumentar o seu envolvimento na União Europeia. “Os britânicos começam a aproximar-se da Europa em termos de política externa e de segurança, Médio Oriente, Protocolo de Quioto ou Tribunal Penal Internacional. Assim, embora a curto prazo, haja sérios problemas para cativar a opinião pública britânica, no longo prazo, penso que o desenvolvimento estratégico vai tender para um maior envolvimento com a Europa – isto, nos próximos cinco ou dez anos”, vaticina. A comunidade britânica em Bruxelas acredita que o papel da União Europeia será fundamental para a política do próximo governo, apesar de a campanha não se caracterizar por um forte debate europeu. Mas muitos eleitores, em Bruxelas, pensam também que uma terceira força, como a dos europeístas liberais democratas, pode revelar-se uma grande surpresa na próxima quinta-feira.