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Pedem-se respostas após o massacre no Uzbequistão

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Pedem-se respostas após o massacre no Uzbequistão

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O massacre em Andijan, há menos de uma semana continua, envolto em mistério.Afinal, quantas pessoas morreram? Quem são os responsáveis por uma insurreição que até agora não tem uma causa específica?

Só três dias após a tragédia em Andijan é que as autoridades uzbeques divulgaram as imagens. Uma revolta que, à partida, foi provocada pelo julgamento de 23 homens de negócios, acusados pelo regime de Islam Karimov de serem islamistas radicais e terroristas. Esta terça-feira, numa conferência de imprensa, as autoridades voltaram a negar que o exército tenha atirado indescriminadamente sobre a população. Andijan é o centro de um descontentamento geral que se vive no Uzbequistão contra Islam Karimov – o líder que se mantém no poder há 15 anos com recurso a várias artimanhhas. Entre elas, um referendo em 1995 que o permite manter na liderança do uzbequistão até 2007. Mas o punho de ferro de Karimov pode ter os dias contados. A miséria, a corrupção e a intolerância trouxeram a revolta da população. Americanos e russos estão expectantes. Os Estados Unidos passaram a ser um forte aliado, depois dos ataques de 11 de Setembro de 2001, e querem manter as bases militares no território. A Rússia parece demonstrar que prefere um Estado laico a um outro religioso, pois alegadamente será menos perigoso. O Uzbequistão tem uma posição estratégica na Ásia central. Está dotado de riquezas invejáveis: gás, urânio, ouro e petróleo. Mas uma das forças da oposição pretende transformar o Uzbequistão num Califado. Os alegados simpatizantes da ideia são miltantes de um grupo islâmico de origem afegã denominado Hizbut-Tahrir al-Islami. As perseguições e detenções prosseguem mas é bem possível que ajudas exteriores estejam a alimentar forças adversárias do regime. Sem perceber os perigos da instabilidade na região caso o Uzbequistão mergulhe no caos, a população só pensa em proteger-se. A fuga para os países vizinhos é a solução mais imediata. O Quirguistão, último berço de uma revolução pacífica, é para muitos a melhor luz ao fundo do túnel.