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Tempestade política na Alemanha

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Tempestade política na Alemanha

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Com a mais que provável convocação de eleições gerais antecipadas para o próximo Outono na Alemanha, depois da derrota histórica do SPD na Renânia do Norte-Vestefália, começam a perfilar-se os candidatos que vão disputar o poder ao chanceler Gerhard Schroeder.

Na linha da frente a CDU poderá muito bem avançar com Angela Merkel, depois da derrota, em 2002, de Edmund Stoiber nas legislativas. A chefe da CDU prefere para já falar do sucesso do seu partido num lande que historicamente é um feudo do SPD. Depois da reunião de urgência dos democratas cristãos, Merkel saudou o anúncio de Schroeder e congratulou-se pela vitória no lande manifestando ainda confiança num triunfo nas legislativas antecipadas. O mote da campanha da CDU será a criação de emprego e a promoção do crescimento, o grande duelo entre SPD e democratas-cristãos. Não há memória na Alemanha dum chanceler pedir a convocação de eleições depois duma derrota numa eleição regional, por isso a imprensa fala numa fuga para a frente do chanceler. Com o anúncio, Schroeder antecipou-se à oposição que naturalmente iria exigir eleições e consegue assim continuar ao leme, navegando no meio da tempestade política. Dusseldorf encheu-se de bandeiras e apoiantes da CDU para celebrar o triunfo na Renânia do Norte, a região mais populosa da Alemanha com cerca de 18 milhões de habitantes. Um lande industrial e portanto operário, governado pelo SPD há quase 40 anos. Com a mudança na direcção do lande a população espera “que surja algo de novo”, depois da desilusão pelo imobilismo dos últimos anos. “Temos todos esperança” afirmava uma eleitora… Do lado dos derrotados espera-se que os operários, “aqueles que ainda trabalham com as mãos se coloquem atrás do SPD”… O desejo de Schroeder de ter eleições antecipadas cria uma situação inédita na Alemanha segundo a lei só o Bundestag é que pode decidir sobre a demissão do governo, assim o chanceler terá de apresentar um voto de confiança no Parlamento que parte do seu partido terá de votar desfavoravelmente para haver uma dissolução.