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Egípcios referendam adenda constitucional polémica

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Egípcios referendam adenda constitucional polémica

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Os egípcios vão às urnas esta quarta-feira. 32 milhões e meio de eleitores vão referendar uma adenda à Constituição exigida pelo presidente Hosni Mubarak sobre a eleição do presidente e aprovada no passado dia 10 com uma larga maioria na Assembleia do Povo (parlamento), dominada pelo Partido Nacional Democrático (PND), no poder.

Um voto apresentado pelas autoridades como um exercício democrático e como uma farsa pela oposição. A adenda ao artigo 76 da Constituição prevê, pela primeira vez, a eleição por sufrágio universal directo e secreto do presidente. No entanto, as condições impostas aos potenciais candidatos são demasiado rigorosas. Por exemplo quem se quiser apresentar como candidato tem que ter o apoio de pelo menos 250 eleitos, locais ou nacionais. A oposição apela ao boicote do referendo. Abdel Moneim Aboul Fotouh, um dos líderes d’“Os Irmãos Muçulmanos”, formação política ilegal mas tolerada, explica que “não é um verdadeiro referendo, é uma farsa com o nome de referendo e uma tentativa do Partido Nacional Democrático que governa o Egipto para continuar a reinar independentemente da vontade do povo.” Na rua, ninguém diz ser anti-Mubarak, mas há quem não hesite em exprimir o seu cepticismo. Nas ruas do Cairo, um transeunte refere que os egípcios vivem “momentos difíceis” e “têm que perceber como praticar a democracia.” Um outro questiona “quem é que um terço da assembleia vai apoiar, sem ser o presidente.” Sem ser o presidente só o filho do presidente. Gamal Mubarak, o filho mais novo do chefe de Estado, antigo banqueiro, muito próximo do mundo dos negócios norte-americano, e que tem subido discretamente na hierarquia do poder, sendo já o número três 3 do PND. Uma ascensão que deve agradar a Washington, que na pessoa de Laura Bush, em visita oficial ao Egipto, se mostrava satisfeita com a reforma referendada. A primeira dama norte-americana disse estar “muito contente com a ideia de haver eleições presidenciais no Egipto. Foi muito inteligente ter dado este primeiro passo.” O apoio dos americanos à democracia egípcia agrada aos apoiantes de Mubarak no Egipto e reconforta-os na ideia de que o presidente é um exemplo a seguir. Mas as declarações de Laura Bush, bem como o referendo desta quarta-feira, são considerados pela oposição como uma “ilusão democrática”.