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Derradeira tentativa de Chirac para evitar vitória do "não"

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Derradeira tentativa de Chirac para evitar vitória do "não"

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A campanha para o referendo francês sobre a Constituição europeia termina à meia-noite desta sexta-feira. O “não” continua a subir nas sondagens, mas os defensores do “sim” dizem que na política, tal como no futebol, o vencedor só é conhecido no fim. Recusam, por isso, darem-se por derrotados.

Os eurodeputados foram ontem a Paris em socorro do texto e o Presidente gaulês foi à televisão para fazer valer o seu peso. Segundo Jacques Chirac, “a rejeição da Constituição será vista pelos europeus como um ‘não’ à Europa e abrirá um período de divisões, dúvidas e incertezas”. Apelando à responsabilidade do eleitorado, disse ser uma “ilusão acreditar que a Europa vai seguir em frente com um outro projecto, porque não há outro projecto e a Europa sairá enfraquecida”. Vendo que a impopularidade do governo incentiva o “não”, Chirac prometeu ter em conta as preocupações dos franceses dando um novo impulso na governação. Deixouassim no ar a hipótese de mudar de primeiro-ministro após o referendo. Pouco depois da declaração televisiva do presidente francês, tinha lugar um debate entre os dois campos. Os opositores da Constituição acusaram imediatamente Chirac de recorrer ao medo e à chantagem. Para Marie-Georges Buffet, líder dos comunistas franceses, “não é o medo e as preocupações que levam a rejeitar o texto, é a vontade das pessoas em construir uma outra Europa, uma Europa que defenda as reformas sociais e a democracia”. Apesar do optimismo, o campo do “não” também não baixa os braços nas últimas horas de campanha. Em França, ainda há 30 por cento dos eleitores que estão indecisos ou que recusam revelar a intenção de voto.