Última hora

Última hora

Chirac e Schroeder acertam agulhas sobre orçamento comunitário

Em leitura:

Chirac e Schroeder acertam agulhas sobre orçamento comunitário

Tamanho do texto Aa Aa

O duo franco-alemão tenta salvar o que resta da Europa, depois do “não” francês e holandês à Constituição Europeia. Reunidos em Paris, Jacques Chirac e Gerhard Schroeder acertam agulhas quanto ao orçamento para 2007-2013, ponto quente da Cimeira da próxima semana. Os países que mais pagam querem pagar menos, os que recebem querem receber mais e ninguém quer abrir mão das regalias adquiridas.

No final do encontro, o chanceler alemão garantiu: “Estamos prontos a avançar para um compromisso construtivo mas é preciso deixar claro que não pode ser um processo unilateral, um pedido unilateral face à Alemanha ou à França, mas que todos devem ceder.” Conhecida como o “motor” da União, a dupla franco-alemão costuma concertar-se antes das Cimeiras. Uma vez mais, a concertação foi possível. “Estamos de acordo em três pontos”, diz o presidente francês. E enumerou: “Não podemos ter um aumento excessivo das despesas europeias. Segundo: há uma exigência de solidariedade, que é o espírito mesmo da União. E, por fim, o respeito pelos compromissos assumidos no passado e que se impõem à União. E penso em especial, e é compreensível, na PAC e nos compromissos assumidos em 2002 relativos à Política Agrícola Comum.” Em 2002, decidiu-se “congelar” a PAC até 2013, o que agrada à França, principal beneficiária das ajudas à agricultura. Contudo, Chirac quer acabar com o chamado “cheque britânico”. Mas o orçamento discute-se a Vinte e Cinco e os ingleses têm outra opinião. “Se o reembolso não existisse, isso significaria que, nos últimos 10 anos, teríamos literalmente contribuído 15 vezes mais – 15 vezes mais – do que a França contribuiu. É por isso que o reembolso existe”, afirmou Tony Blair. O primeiro-ministro contrapôs: “Se as pessoas quiserem voltar a olhar para a Política Agrícola Comum, claro que estão podemos olhar para tudo. O que não podemos é pegar numa só parte do debate e dizer que se trata apenas do cheque britânico, e não debatermos mais nada.” A presidência luxemburguesa da União apresentou uma proposta de compromisso mas que também não agrada a todos. O Luxemburgo prevê cortar nos fundos estruturais, o que já levou a Itália a prometer vetar o texto.