Última hora

Última hora

Merkel/Sarkozi: a dupla que promete revitalizar o eixo franco-alemão

Em leitura:

Merkel/Sarkozi: a dupla que promete revitalizar o eixo franco-alemão

Tamanho do texto Aa Aa

Angela Merkel, candidata à chancelaria alemã nas próximas eleições, está em plena ofensiva. Pode ser a primeira mulher da história a obter o lugar. Nas visitas ao estrangeiro como a que fez ao Kosovo há quatro dias, cumprimenta as tropas alemãs como uma verdadeira chefe de Estado.

Se Merkel ganhar as eleições de Setembro, como vai evoluir a relação franco-alemã? Imaginamos mal esta ex-alemã de Leste a rir-se com as piadas de Chirac e a fomentar o género de amizade que hoje liga o chanceler ao presidente francês – os dois juntos representam a velha Europa e o seu motor. Angela Merkel quer acabar com ambas as imagens. E as divergências com Chirac são muitas. Em primeiro lugar, sobre a Turquia, ela começou por reivindicar uma parceria privilegiada, enquanto se prepara o relançamento das negociações da adesão do país, em Outubro. Merkel aproveitou mesmo o não francês à Constituição para justificar a sua tese de que os europeus estão a sentir um crescente receio quanto às futuras fronteiras da União Europeia. Sobre o Iraque, está muito longe da posição radicalmente não intervencionista de Chirac e de Schroeder durante a guerra. Antes, como agora, critica com veemência a coligação vermelha e verde no poder, apesar de excluir o envio de tropas. Os alemães são maioritariamente contra. O que suscitará mais curiosidade em França é o rumo da relação com Washington. Merkel não fará braços de ferro com Bush. Pelo contrário, fomentará a relação transatlântica para evitar qualquer confrontação. O mito da cumplicidade Miterrand-Kohl, dos bons tempos do eixo franco-alemão, abrandou um pouco com Chirac-Schroeder, mas a alquimia funciona… e assim continuará, tudo indica, com Merkel e Sarkozy. Eles estão de acordo sobre quase tudo. Líder da CDU, partido cristão democrata, desde 2000, Merkel tem estratégia, oferecendo a imagem necessária de reformadora mas também de conservadora do sistema. Diz que uma nova fé na política é um pré-requisito para o processo de recuperação da Alemanha.