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Paquistão: a dualidade do terrorismo

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Paquistão: a dualidade do terrorismo

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Pervez Musharraf, o presidente do Paquistão, tornou-se um aliado incontornável dos Estados Unidos, depois dos atentados de 11 de Setembro. Conseguiu deitar a mão a alguns grupos terroristas e ele próprio sobreviveu a dois atentados. Mas a sua mão de ferro contra os terroristas enfrenta a oposição de uma opinião pública contrária a esta atitude.

Três dos kamikazes de Londres visitaram Karachi no ano passado. Eram os títulos da imprensa paquistanesa da passada segunda-feira, 18 de Julho. Todos eles, britânicos de origem paquistanesa, estiveram no país e, a prová-lo, estão os certificados da imigração, mas os serviços secretos não sabem ainda o que foram lá fazer. Por enquanto, só uma coisa é certa: um deles, Shehzad Tanweer, passou brevemente por uma escola corânica, uma madrassa, e esteve em contacto com um grupo extremista clandestino. Há milhares destas escolas no Paquistão, que acolhem mais de um milhão e meio de alunos. Num país pobre, onde a educação é um privilégio para as elites, aprendem aqui o Corão de cor e só algumas outras matérias de estudo não religiosas. Pensa-se que se tenham tornado fábricas de activistas da Jihad, a guerra santa. Desde o 11 de Setembro de 2001, o Paquistão tornou-se um actor fundamental na luta contra o terrorismo islamita internacional em duas vertentes: é ao mesmo tempo uma imensa base de formação e um enorme campo de batalha contra os membros da Jihad. É simultaneamente produtor e alvo de atentados terroristas. Nos últimos três anos, pelo menos seis grandes ataques ocorreram em mesquitas. As zonas tribais ao longo da fronteira com o Afeganistão são de controlo difícil e servem de refúgio a militantes de variados grupos extremistas, entre os quais a Al Qaida e os taliban. Apesar das numerosas detenções e de terem entregue aos Estados Unidos mais de 700 suspeitos, as autoridades paquistanesas parecem incapazes de por termo à cultura do terrorismo. Para muitos analistas, esta é a consequência de 25 anos da política de Islamabad de utilização dos activistas da Jihad para conseguir os seus objectivos, nomeadamente no Afeganistão e em Caxemira.