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Flamengos e valões celebram as diferenças na festa da Federação Belga

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Flamengos e valões celebram as diferenças na festa da Federação Belga

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A Bélgica festeja 175 anos de independência em pleno debate nacional, com flamengos (de origem germânica, que são a maioria) e valões (de origem celta, francófonos) a medirem forças, mas em igual plano. De facto, 25 anos de federalismo fizeram da Bélgica uma nação que os belgas não pretendem partir em duas.

Isso percebe-se nas ruas. Diz um valão que desde há alguns anos se sente um mal-estar, mas a crise é apenas política. Ele acredita que a população da Bélgica quer continuar belga. Uma mulher, também francófona, concorda: diz que é pela unidade do país e acrescenta um “viva a Bélgica”. Um outro cidadão, flamengo, reconhece, em inglês, que têm tido alguns problemas mas não querem separar-se. Uma concidadã diz que as comunidades divergem muito. Devem, no entanto, ser aceites como como duas faces da mesma Bélgica. O conflito político entre as duas comunidades tem sido incentivado por uma minoria de extremistas da Flandres que tem conseguido influenciar até os partidos moderados, como explica um professor da Universidade de Lovaina. Não há muita gente a desejar a divisão do país, mas há muita diferença entre o que o povo quer e o que ecoa a nível político. Os políticos não se querem comprometer sobre as questões de elevado valor simbólico. Em Maio passado, o governo esteve perto da demissão, na sequência de grandes confrontos entre as duas comunidades por causa de um conflito linguístico eadministrativo em Hal e Vilwoorde, duas regiões próximas de Bruxelas que pertencem à Flandres mas onde vive uma importante minoria francófona. Para Benoit Pilet, professor do Institudo de Estudos Europeus, o sistema federal tem uma quota de responsabilidade: “Segundo o sistema federal belga só há dois actores na cena política e nas negociações tem-se sempre o mesmo adversário pela frente. Há que negociar com a mesma pessoa, aquela com que quem se tem problemas. Por isso, é um sistema federal com dois actores”. Este federalismo acaba por salientar as diferenças étnico-linguísticas do país, com o objectivo da unidade nacional.