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Atentados de Paris: 10 anos depois

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Atentados de Paris: 10 anos depois

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Há precisamente dez anos, Paris sofria um atentado terrorista no metropolitano. Na estação de Saint-Michel, uma bomba explodiu, matando oito pessoas e ferindo uma centena. Era o primeiro de uma série de cinco atentados que ensanguentou a França desde o Verão de 1995 até ao mês de Outubro.

Martine Boutros-Hescoat era agente da rede de transportes públicos de Paris, há dez anos, e foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local para prestar socorro às vítimas. Tanto tempo depois, e continua traumatizada. Costuma vir, frequentemente, a Saint-Michel, incógnita, para se recolher. Vem porque eles estão bem presentes, são os “seus” mortos. Ao terceiro atentado, a investigação leva ao Grupo Islâmico Armado, GIA, o mais radical dos grupos argelinos. Era uma tarefa difícil, como reconhece Jean-Pierre Pouchon, director dos serviços de informação franceses. Afirma que, na sua análise pessoal, havia premissas em que assentam, hoje, movimentos islamitas radicais, como a Al Qaeda, sem estruturação vertical. “Eram redes horizontais e destructuradas”, explica. Três homens foram detidos, julgados e condenados. Simples executores? De qualquer forma, falta ainda o julgamento de um quarto elemento. Rachid Ramda, aliás, Abou Farès, preso em Londres, no dia 4 de Novembro de 1995, é suspeito de ter financiado estes atentados. Terá transferido o dinheiro para a conta de um dos autores, para França. Era responsável pelo jornal Al Ansar, onde o GIA reivindicou os atentados. E frequentava o chamado Londonistão, sendo ainda um próximo de Bin Laden. A França espera a sua extradição há dez anos. Françoise Rudetzki, presidente do “SOS Atentados”, considera que agora, depois dos atentados de Londres, se pode perceber o quanto é importante para os sobreviventes e famílias das vítimas saber toda a verdade. Detido numa prisão britânica há dez anos, Ramda está agora mais perto da extradição para ser julgado em território francês (as autoridades já o anunciaram, mas o réu apelou da decisão). O 7/7 em Londres deu novo fôlego à cooperação internacional antiterrorista.