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Líbano liberta antigo "senhor da guerra" civil

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Líbano liberta antigo "senhor da guerra" civil

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Pouco depois de ter recuperado a liberdade, Samir Geagea deixou o Líbano rumo a França. Em Paris, o chefe da ex-milícia cristã das Forças Libanesas será submetido a exames médicos e aproveitará também para descansar e fazer turismo.

Graças à amnistia votada no parlamento no passado dia 18, Geagea saiu esta terça-feira dos calabouços do ministério libanês da Defesa, onde passou os últimos 11 anos. Uma cela solitária subterrânea com seis metros quadrados. Líder das antigas milícias cristãs libanesas, único “senhor da guerra” punido pelo seu papel no conflito entre 1975 e 1990, Geagea apelou, no aeroporto de Beirute, à reconciliação nacional. Pouco depois de redescobrir a liberdade, Geagea dizia: “Os dias negros são parte do passado, agora temos pela frente os dias radiosos. Não se pode pagar duas vezes o preço da liberdade. Se queremos construir um futuro melhor, para a geração vindoura, temos de trabalhar em conjunto, de uma forma diferente da que fizemos durante a guerra”. Também chamado Hakim, o “Doutor” Geagea era há 30 anos um dos chefes das Forças Libanesas, uma milícia cristã fundada por Bachir Gemayel. Em 1975 começou a combater a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) de Yasser Arafat. Nos anos 80 leva a guerra para as montanhas, luta contra os drusos e alia-se a Israel para combater um inimigo comum, a Síria. No final da guerra transforma a milícia em partido político, mas acaba na prisão em 1994, vítima do controlo de Damasco sobre o Líbano. Apesar da amnistia declarada no final do conflito, Geagea acaba por ver o seu processo reaberto e foi julgado por crimes cometidos durante a guerra, nomeadamente do homicídio, em 1987, do primeiro-ministro Rachid Karamé. Acabou por ser condenado à morte, uma pena comutada em prisão perpétua. Sempre se disse inocente, um prisioneiro político, vítima da oposição feroz que fez à Síria. Com a retirada de Damasco do Líbano, em Abril, muitos apoiantes saíram às ruas exigindo a sua libertação. Com o final de 30 anos de ocupação síria e após as primeiras eleições livres, o parlamento passou a ser maioritariamente anti-sírio, o que permitiu a amnistia e abriu as portas da liberdade a Samir Geagea.