Última hora

Última hora

IRA renuncia à violência para relançar processo de paz

Em leitura:

IRA renuncia à violência para relançar processo de paz

Tamanho do texto Aa Aa

O Exército Republicano Irlandês (IRA) anunciou o fim das suas actividades armadas, apelando a todos os membros para que deponham as armas e enveredem por meios pacíficos de defesa dos seus ideais, como a política.

A organização pediu ainda aos seus operacionais para que não prossigam a luta em qualquer outro grupo armado. O anúncio considerado histórico ao final de mais de 30 anos de actividade da organização, manchados por cerca de 1800 assassínios, não implica para já o desmantelamento do IRA, como o exigiam os sectores protestantes da Irlanda do Norte. Um membro do IRA, com a cara descoberta, leu o comunicado onde se apelava a todos os operacionais e voluntários a deporem as armas a partir das 16h00 desta quinta-feira. No mesmo anúncio, o responsável assegurava que a liderança do IRA iria reatarcontactos com a comissão independente responsável pelo desmantelamento do arsenal da organização. Segundo o jornal britânico The Times, o general canadiano John de Chastelain, responsável por supervisionar o processo de desarmamento encontra-se desde há alguns dias na Irlanda do Norte. Responsáveis próximos do militar asseguraram que o processo poderá estar concluído dentro de um a dois meses. Um sinal que favorece uma possível reabertura das discussões com vista à reinstauração do governo paritário da região, suspenso por Londres em 2002. O anúncio de hoje foi decidido durante uma reunião do IRA convocada em Abril pelo líder do braço político da organização, Gerry Adams, com o objectivo de reatar as negociações de paz no território. A primeira condição para o abandono das armas tinha sido já cumprida por Londres, ontem à noite, com a libertação de um antigo operacional do IRA Sean Kelly, condenado à prisão perpétua em 1993. Do lado dos protestantes da Irlanda do Norte, exigem-se no entanto mais palavras do que acções ao IRA. Ian Paisley, o líder do Partido Democrático Unionista criticou a falta de clareza do comunicado da organização no que se refere ao desmantelamento do seu arsenal, exigido pelos protestantes como condição essencial para reatar o governo paritário. Paisley lembrou que, “a história recente do conflito na Irlanda do Norte está repleta de comunicados do IRA apontados como históricos, mas quando a organização evita referir-se às suas actividades criminosas milionárias, não consegue criar um clima de confiança à altura das intenções expressas”. Paisley afirmou reagir, “com desprezo”, ao que chamou de, “tentativa por parte do IRA de glorificar e justificar a sua campanha de assassínios”.