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Irlanda do Norte: do desarmamento do IRA ao fim da ira

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Irlanda do Norte: do desarmamento do IRA ao fim da ira

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A renúncia à luta armada, anunciada ontem pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), reabre agora o processo político na Irlanda do Norte com vista à reinstauração do governo paritário, suspenso por Londres em 2002.

No comunicado emitido pelo IRA falava-se de, “continuar o combate por meios pacíficos e democráticos”, mas o processo anuncia-se para já longo com o sector protestante a exigir, antes de mais, o desmantelamento total da organização. No processo de normalização do território a questão do desarmamento do IRA é para já o tema mais urgente. A comissão independente encarregue de supervisionar o abandono das armas poderá iniciar o processo já na segunda-feira, concluindo-o o mais tardar dentro de dois meses. Falta saber se os membros do IRA aceitarão depor as armas, sob o olhar do General John de Chastelain, sem que os grupos paramilitares protestantes aceitem fazer o mesmo. De qualquer forma a intenção deixada ontem pela organização é clara no que se refere ao facto de que os membros não deverão prosseguir a luta armada no seio de outras organizações. O reconhecimento e inventário das actividades criminosas atribuídas ao IRA, como roubo, contrabando, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro é outro ponto que ameaça agitar o optimismo em torno do comunicado “histórico”. À partida o IRA estará pronto a aceitar pela primeira vez a criação de um corpo de polícia constituído por católicos e protestantes, mas exige comocontrapartida a retirada dos 10 500 militares britânicos na região assim como a demolição de dezenas de postos de vigilância. Para selar a carreira armada do IRA e dar início à nova era de luta desmilitarizada na Irlanda do Norte, Londres aceitou criar legislação já em Outubro de forma a permitir a concessão de amnistias aos membros do IRA detidos ou ainda a monte. O caminho para a normalização anuncia-se uma vez mais cheio de obstáculos. Mas a cara descoberta e a voz calma e convicta de Seana Walsh, o membro do IRA que leu ontem o comunicado, é interpretada pelos analistas como uma manifestação das boas intenções da organização ao fim de mais de trinta anos de luta armada.