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Abdullah da Arábia Saudita passa de regente a rei

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Abdullah da Arábia Saudita passa de regente a rei

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Abdullah bin Abdul Aziz herda um país que conhece bem, pois dirige-o há dez anos. Com 82 anos de idade, o meio irmão do rei Fahd é muito popular no meio árabe. Íntegro, à escala saudita, piedoso, vivendo modestamente, não pertence ao clã dos Soudayri e, de facto, foi poupado às acusações de corrupção do regime.

Ao contrário de Fahd, pensava-se que era anti-americano por ser tão profundamente nacionalista. E se ele se opôe abertamente aos Estados Unidos em várias frentes, também renovou os laços cordiais com tão incontornável aliado, que hoje considera o garante da estabilidade do seu reino. Em termos políticos, soube fazer reformas, sobretudo, no plano económico, que incrementou mais rapidamente depois do 11 de Setembro. A nível interno, consciente da ameaça terrorista contra o regime, quer reforçar a legitimidade da dinastia recorrendo a todos os sectores da sociedade. Como reconciliar wahabistas, sunitas, xiitas e sufitas, num país co-fundado pelo pai do Wahabismo, esse Islão rigoroso e ultrapuritano, que abriga os seus dois principais locais sagrados. O islamismo wahabista resultou de um contrato entre os discípulos de al-Wahab e Ibn Saud, da Casa Real. O rigor da doutrina volta-se contra o regime no fim dos anos 80. Apoiados pela Arábia Saudita e por Washington, os jovens membros da Jihad, ou guerra santa, partem para lutar contra o comunismo e combater o exército vermelho no Afeganistão. Voltam vitoriosos, a quererem espalhar a Jihad. Começa a primeira guerra do Golfo e o rei Fahd, que tinha assinado dois anos antes, com Saddam Hussein, um acordo de não-ingerência, tomou a decisão histórica de autorizar as tropas americanas a montarem bases na Arábia Saudita. A aliança militar com Washinton provoca a cólera desta jovem geração de fundamentalistas, da qual faz parte Osama bin Laden. A origem saudita de Ossama bin Laden e de 15 dos 19 responsáveis dos atentados de 11 de Setembro assombra as relações entre norte-americanos e sauditas até que, pouco a pouco, os sauditas compreendem a ameaça terrorista. Com os dois atentados sangrentos em Riade, em 2003, o reino é tocado pela primeira vez por extremistas da Al-Qaeda. Estes têm vaticinado o fim do reino e e dos seus príncipes corruptos que, a seus olhos, se afastaram do Islão. Sob pressão, Abdullah reage violentamente. A perseguição que faz aos extremistas da Al-Qaeda apazigua as tensões com Washington. Por outro lado, a legitimidade religiosa permite-lhe declarar guerra aos fundamentalistas sem passar por traidor. Erradicar o terrorismo e, ao mesmo tempo, responder aos apelos para uma abertura política, lançando prudentemente um processo de reformas. Em Fevereiro deste ano, relaizaram-se as primeiras eleições autárquicas de que há memória na Arábia Saudita. Mas sobre este ponto, Abdullah tem as mãos atadas pelos ultraconservadores do regime. A sua margem de manobra é estreita.