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Ahmadinejad empossado em clima de muita tensão no Irão

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Ahmadinejad empossado em clima de muita tensão no Irão

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Jovem, discreto, Ahmadinejad passa bem por um cidadão comum e foi por isso mesmo que ganhou as eleições presidenciais no Irão, para surpresa de todos. Apesar de ser considerado um fundamentalista, a ameaça de um bloqueio das reformas venceu as esperanças que os iranianos têm neste homem, que diz querer trabalhar para os pobres e lutar contra a corrupção.

Este ultraconservador, inteiramente dedicado à causa do guia supremo, pretende dar uma imagem de moderado, razão pela qual promete não tolerar nenhum tipo de extremismo. Mesmo assim a sua eleição preocupa os reformadores. Ainda por cima, o clima é, actualmente, tenso no Irão. Será uma mero acaso o assassínio em plena capital do juiz Massoud Moghaddasi? O mesmo que era responsável pelos dossiês mais sensíveis da dissidência iraniana e que condenou os opositores mais célebres como Shirin Ebadi? No que diz respeito à política externa, a crise não podia ser pior, devido àquestão do nuclear e à ameaça do Conselho de Segurança das Nações Unidas de condenar o país. Sobre esta questão, Ahmadinejad deverá seguir a linha traçada pelo seu predecessor. Trata-se de uma questão de orgulho nacional. Esta é pelo menos a tese de Mahmoud Alinejad, que diz não acreditar “numa mudança imediata na política nuclear. Ele (Ahmadinejad) deixou bem claro que não vai tomar nenhuma posição hostil em termos de relações internacionais. Mas disse que quer que a política externa do Irão seja pró-activa e não passiva.” Ou seja, o Irão não vai deixar que outros decidam por si, muito menos se se tratar do Grande Satã. O novo presidente foi claro, a mão da amizade foi estendida ao estrangeiro, menos aos Estados Unidos. As relações diplomáticas entre os dois países, que nunca foram restabelecidas desde os anos 80, não vão melhorar. Em causa está não só a questão do nuclear, mas também a da tomada de reféns da embaixada norte-americana em 1979, na qual Ahmedinejad terá participado. O novo presidente tem pela frente mais obstáculos do que o que tinha previsto antes das eleições. Para que a crise não se alastre ainda mais terá que dar mostras de uma grande flexibilidade apesar do seu conservadorismo.