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Morte de Garang suscita dúvidas no Sudão

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Morte de Garang suscita dúvidas no Sudão

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A morte do general Garang, ex-rebelde nomeado vice-presidente do Sudão, há três semanas, instalou uma nuvem de cepticismo no coração dos sudaneses do sul. John Garang, de 60 anos, morreu no fim-de-semana, com outras 13 pessoas quando o helicóptero que os trazia do Uganda se despenhou no sul do país. Os seus apoiantes não acreditam na tese do acidente.

Os habitantes sulistas temem que a morte do ex-líder rebelde enfraqueça o Governo do Sudão, dividido entre o Norte, habitado por muçulmanos, e o Sul, onde vivem populações de várias etnias africanas que praticam cultos animistas, o cristianismo e o islamismo. O acordo de paz, assinado em Janeiro, prevê um período de transição de seis anos durante o qual a lei islâmica (instaurada em 1983) não será aplicada no Sul. Ao fim desse prazo está prevista a realização de um referendo para a população decidir ou não tornar-se independente. O Conselho Nacional, partido do presidente Omar al-Béchir – inimigo de Garang, condenou os confrontos que mataram mais de 100 pessoas em Cartum, quando se soube da morte do vice-presidente, e prometeu fazer respeitar o tratado de paz assinado em Nairobi. O Sudão está em guerra civil há 46 anos. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros cristãos e animistas, baseados no sul do território, revela as realidades culturais opostas da Nação. A guerra e prolongados períodos de seca já deixaram 1,5 milhão de mortos.