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Medidas anti-terroristas de Blair inflectem tradicional tolerância britânica

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Medidas anti-terroristas de Blair inflectem tradicional tolerância britânica

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Tony Blair está pronto a rever a lei britânica sobre direitos do Homem para tornar mais eficaz o combate aos “predicadores do ódio” que incitam ao terrorismo. O anúncio feito ontem pelo primeiro-ministro britânico, semanas depois dos atentados em Londres, agita a polémica no Reino Unido.

A tradicional terra de asilo para milhares de refugiados poderá, a partir de agora, como afirmou ontem Blair, expulsar todos os estrangeiros que defendam “comportamentos inaceitáveis”, mesmo que estejam naturalizados britânicos ou que requeiram asilo político. “Vir para o Reino Unido não é um direito e permanecer no país implica certos deveres, como partilhar e defender os valores que estão na base do nosso modo de vida”, afirmou ontem o primeiro-ministro. “Esta é a nova atitude face à extradição. Que ninguém tenha dúvidas de que as regras do jogo estão a mudar.” O discurso duro do chefe de governo não parece atemorizar os meios islamistas radicais britânicos. Omar Bakri, o imã que considerou como heróis os responsáveis pelos atentados de 11 de Setembro em Nova Iorque e Washington e que viu ontem o seu grupo banido por Blair, considera que “as medidas antiterroristas vão ser vistas pelos jovens muçulmanos como ditatoriais sendo comparáveis àquelas de ditadores árabes como Saddam Hussein ou Osny Mubarak”. As associações de defesa dos direitos cívicos consideram, por seu lado, que os valores básicos da democracia não podem ser alterados para responder às provocações de terroristas. Para Shami Chakrabati, da organização “Liberty”, “mais do que leis ou discursos duros, o governo tem obrigação de aumentar a actividade dos serviços secretos junto das comunidades que se sentem alienadas”. Contra os que anunciam o fim do liberalismo britânico do pós-guerra, Blair salientou que todas as medidas submetidas ao Parlamento, em Setembro, serão aplicadas em coordenação com responsáveis muçulmanos e respeitarão o multiculturalismo do país.