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Sudão: funeral de John Garang pode reacender tensões religiosas

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Sudão: funeral de John Garang pode reacender tensões religiosas

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As interrogações em torno da morte de John Garang ameaçam reavivar o conflitoentre as comunidades cristã e muçulmana do Sudão.

O antigo rebelde, morto na sequência de um acidente de helicóptero há uma semana, é hoje enterrado na cidade de Juba, futura capital do Sul do país, quase um mês depois da sua nomeação como vice-presidente do Sudão ter posto fim a 21 anos de guerra civil. O chefe de Estado do Uganda, que participou ontem no velório na cidade de Yei, afirmou não descartar nenhuma explicação para o despenhamento do helicóptero do exército ugandês que transportava Garang. Yoweri Museweni afirmou que “pode ter-se tratado de um acidente ou de algo mais, todas as hipóteses estão a ser investigadas”. A caixa negra do helicóptero presidencial, fabricado na Bielorússia, foi recuperada ontem dos destroços, por uma equipa de peritos constituída por militares do Uganda, Sudão e Quénia. As declarações de Museweni inflamam, entretanto, as relações entre o Uganda e o governo sudanês, que pediu ao presidente ugandês para que esclareça as suas afirmações e disponibilize todas as informações que tem em seu poder. Cartum recordou que Museweni precisou de mais de 12 horas para anunciar o desaparecimento do seu próprio helicóptero presidencial. Garang, assim como outras 13 pessoas, regressavam de uma visita oficial ao Uganda quando o helicóptero se despenhou a caminho da capital do Sul do país, Rumbek. O líder carismático tinha feito da luta contra as guerrilhas muçulmanas do Sul do país o cavalo de batalha do seu mandato. As dúvidas que rodeiam a morte de Garang provocaram nos últimos dias violentos confrontos entre muçulmanos e cristãos, em Cartum, no Norte, e Juba, no Sul, que resultaram em, pelo menos, 130 mortos.