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Retirada da Cisjordânia pode criar mais problemas do que a de Gaza

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Retirada da Cisjordânia pode criar mais problemas do que a de Gaza

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A retirada dos colonatos israelitas é bem mais complexa na Cisjordânia que na Faixa de Gaza. Perto de 220 mil pessoas vivem em mais de 240 colonatos da Cisjordânia. Ganim, Kadim, Homesh e Sanur são os quatro no norte do território que fazem parte do plano de retirada.

Depois da evacuação, a presença israelita desaparece e o território ficará sob controlo palestiniano uma área duas vezes maior do que a Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, Israel está a implantar novos colonatos na Cisjordânia. Alguns são ilegais, outros estão dentro da legalidade e são encorajados pelo governo. É o caso de Maale Dounim, onde a construção de novas casas avança a todo o vapor. O primeiro-ministro esteve há poucos meses em Maale Dounim. Na altura deixou bem claro quais eram as suas intenções – Israel vai manter pelo menos cinco grupos de colonatos. O chefe de governo confirma que “lugares como Maale Dounim, Ariel, Givat, Zeez, Goush Etzion e Kyriat Arba vão continuar sob controlo israelita”. O ministro da Defesa acrescentou esta segunda-feira ainda mais um colonato a manter pelos israelitas. Mas só nos cinco grupos de colonatos referidos por Sharon habitam 90 mil pessoas: quase metade dos colonos da Cisjordânia. A protegê-los está um muro, que muitos chamam da vergonha. O primeiro-ministro israelita prefere chamá-lo muro de protecção contra terroristas palestinianos. Mas para os palestinianos, trata-se da anexação por parte de Israel de uma grande parte da Cisjordânia, uma área de que os israelitas prescindiram para os vizinhos árabes nos acordos de paz de 1967. A comunidade internacional condena a construção do muro e não está de acordo com o alargarmento dos colonatos na Cisjordânia. São, aliás, dois pontos em que Ariel Sharon e George W.Bush, o presidente norte-americano, não se entendem. Mas Sharon conseguiu, mesmo assim, os apoios de que precisa. Dos quatro colonatos da Cisjordânia, dois são potencialmente problemáticos nos que diz respeito à retirada. Sanur e Homesh acolhem os extremistas de linha mais dura. O exército, aqui, optou por outra estratégia: em vez de contactar directamente cada colono para a retirada, comunicou apenas aos líderes das comunidades. Kadim e Ganim já não são problema. Todas as pessoas partiram.