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Acidentes aéreos revelam segurança desregulada a nível internacional

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Acidentes aéreos revelam segurança desregulada a nível internacional

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Uma série negra de acidentes aéreos como a vivida nas últimas semanas só tem uma resposta dos peritos: trata-se de um funesto concurso de circunstâncias, de uma aziaga coincidência.

Porém, com 1,5 acidentes por cada milhão de descolagens ou aterragens, o aviãoé o meio de transporte mais seguro que existe. Desde os anos sessenta, o número de sinistros foi dividido por 30, mas o aumento do tráfego e o tamanho dos aparelhos pode ter consequências trágicas. Em 1947, oito milhões de pessoas viajavam de avião.No ano passado, esse número chegou quase aos 4 mil milhões.Os mortos mantiveram-se em cerca de mil por ano, uma proporção ínfima face à evolução no número de passageiros transportados. Em 2020, esse valor deverá ascender a 7 mil milhões de passageiros anuais.Nesse quadro, os peritos prevêem um acidente aéreo por semana. Um fenómeno que, estatisticamente, atinge sobretudo os voos charter e as companhias de custos reduzidos. Esta situação despertou uma consciência securitária entre os passageiros.Na segunda-feira, na Grécia, 109 franceses recusaram embarcar num voo da Alexandair por não considerarem reunidas as condições de segurança. “As hospedeiras com quem falei um pouco afirmaram estar receosas de voar com a companhia Alexandair”, confessou um passageiro. “O avião não foi autorizado a voar pelas autoridades gregas, nem pelas francesas. Portanto, é óbvio que não temos vontade de entrar num avião proibido de voar”, desabafou outra passageira. Os peritos da Organização da Aviação Civil Internacional dizem não existir uma relação entre as companhias de baixo custo ou o nível de desenvolvimento de um país e a segurança, uma vez que as normas são globais.Porém, compete a cada Estado fazê-las cumprir, algo que, manifestamente, não é garantido por nenhuma instituição a nível mundial. Depois de uma análise ao cumprimento das normas de segurança, um inquérito parlamentar francês sugeriu a divulgação de uma lista, na qual estão inscritos os nomes dos infractores. Uma lista que engloba 30 dos 187 membros da OACI. A responsável pelo relatório Odile Saugues diz que “há informações suficientes para divulgar a lista, mas não há vontade política. Além disso, são necessárias normas mais severas do que as existentes, tanto a nível internacional, como europeu, mas, sobretudo, é preciso fazê-las cumprir”. A OACI esclarece que não pode impôr sanções, limitando-se a oferecer apoio técnico e financeiro aos Estados que não tenham condições para cumprir as normas.Entretanto, algumas companhias continuam a reforçar a frota neste cemitério de aviões destinados à sucata no Nevada.