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Paris: Crise na habitação social vem a lume após novo incêndio mortal

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Paris: Crise na habitação social vem a lume após novo incêndio mortal

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Quase 50 mortos em resultado de incêndios em prédios degradados de Paris colocam em evidência a crise que atravessa a capital francesa, no que diz respeito à habitação social.

Cerca de 300 mil pessoas, a grande maioria originária de África, anseia ser realojada. As condições precárias dos edifícios em que vivem tornam ainda mais difícil o trabalho dos bombeiros. No incêndio da noite passada, como explicou um porta-voz dos soldados da Paz, o facto de o fogo ter começado nas escadas complicou ainda mais as operações de salvamento. Do lado dos imigrantes, muitos com a situação ainda por regularizar, o sentimento é de tristeza e de revolta. “Imaginem a guerra que temos na Costa do Marfim, os nossos parentes vão saber que fomos queimados como animais. Que tristeza”, declarou uma das sobreviventes, que perdeu quatro membros da sua família. O Abade Pierre, fundador da Emmaus, tinha alertado, horas antes deste último incêndio, para o risco de novos desastres. Alguns imigrantes não escondem a sua fúria: “Até os animais são protegidos aqui. Porque é que nós, os pretos, não podemos também ser protegidos?” O fogo da noite passada, no bairro do Marais, no centro de Paris, fez sete mortos, quatro dos quais crianças. O governo já prometeu construir 500 mil fogos de habitação social nos próximos cinco anos.