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Ascensão e queda de parte da equipa governamental ucraniana

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Ascensão e queda de parte da equipa governamental ucraniana

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Alexandre Zintchenko, secretário de Estado da Ucrânia, ao anunciar a sua demissão e as razões que o levaram a provocar uma autêntica derrocada política no início da semana, originou a queda de vários ministros, esta quinta-feira. “A corrupção e os subornos estão a aumentar. Em muitos casos, ultrapassam o que havia antes e espalharam-se pelas estruturas centrais e regionais. O fenómeno passou a ser sistemático”, afirmou. Fez a acusação frente a um dos principais visadas, que protestou com veemência. Piotr Poroshenko, uma das figuras-chave do governo, terá construido fortuna pessoal à conta do cargo político.

A realidade é dura, principalmente depois da Revolução Laranja, que veio para fustigar o corrompido regime de Leonid Kuchma e o fez cair, com promessas de transparência na nova classe política. Com a legitimade política ameaçada, o presidente, Viktor Iuschenko, tinha de reagir (as reformas estão estagnadas e há recessão económica). Parece estar escondido o resto do iceberg da equipa revolucionária. Era claro o confronto entre o clã de Iulia Timochenko, figura símbolo da Revolução Laranja, liberal com forte apoio popular, e Porochenko, antigo oligarca com apoios nas forças de segurança, cuja nomeação visava criar um contrapeso às ambições da primeira-ministra. A dama de ferro ucraniana nunca escondeu que visa mais alto nos cargos do Estado. Em Junho, dizia à EuroNews que, como em todas as famílias, os políticos estavam em período de trabalho intenso. Tinham de aprender a conhecer o estilo uns dos outros. O presidente devia compreender o estilo da primeira-ministra e vice-versa. O presidente Iuschenko deve ter compreendido o estilo da primeira-ministra e demitiu-a, ao ver o que desejava. Respondendo às acusações de corrupção com as demissões, o presidente tenta manter-se à tona no meio das águas turvas e cumprir as promessas ao eleitorado – o que não impede a queda da popularidade. Na Rússia ironizam-se as acusações de economias paralelas e instabilidade política. Na Europa e nos Estados Unidos, que tanto apostaram na democracia ucraniana, a inquietude começa a alastrar-se.