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Liberalização da electricidade ainda não deu frutos

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Liberalização da electricidade ainda não deu frutos

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Um ano depois da segunda fase de liberalização do mercado europeu da electricidade o balanço não é o melhor: em vez de beneficiar os consumidores, a abertura à concorrência acabou por proporcionar ainda mais lucros aos antigos monopólios estatais.

Quem o afirma é o vice-presidente do grupo dos Verdes, no Parlamento Europeu, baseando-se num estudo independente. Diz Claude Turmes: “Se queremos que haja concorrência entre os produtores de electricidade, não podemos permitir a companhias como a francesa EDF, e as alemãs E-ON e RWE… a três empresas, que controlem mais de 40% da produção de electricidade europeia.” Um controlo originado pelas fusões, que concentraram ainda mais o mercado. Mas há ainda o problema da distribuição da electricidade, alerta o autor do estudo, o director do Instituto alemão de Ecologia Aplicada, Felix Christian Matthes: “O sector da electricidade é o único onde há apenas uma rede, é o que chamamos um monopólio natural. É diferente das telecomunicações, porque nos telemóveis há várias redes.” O estudo aponta soluções que passam pela criação de regras de concorrência bem mais apertadas. Mas o analista Gilles Merrit, do ‘think thank’ “Friends of Europe” não é muito optimista: “Pessoalmente, não vejo a Comissão Europeia, no actual clima político, a fazer grandes ataques às empresas de energia, das quais dependemos enquanto infra-estrutura da vida dos cidadãos e das empresas. Parece-me muito improvável.” A liberalização do mercado energético visa provocar uma baixa dos preços da electricidade no consumidor, à semelhança do que aconteceu nos países pioneiros, como o Reino Unido e a Escandinávia.