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Simon Wiesenthal: de presa a "caçador de nazis"

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Simon Wiesenthal: de presa a "caçador de nazis"

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Simon Wiesenthal foi o mais resoluto “caçador de nazis”. Nascido no dia 31 de Dezembro de 1908 em Buczacz, na Galícia, a actual Ucrânia, que na altura fazia parte do Império Austro-Húngaro, estudou arquitectura em Lviv e depois em Praga.

A chegada das tropas hitlerianas mudou completamente a sua vida. Detido em 1941, passou por vários campos de extermínio, nomeadamente Buchenwald e Mauthausen. Depois de libertado, iniciou uma colaboração com o exército americano a quem fornecia provas contra criminosos nazis. Um trabalho que vai continuar, mais tarde, num escritório em Linz, na Áustria, com 30 voluntários. Com a guerra fria, os aliados abandonam a caça aos nazis e em 1954 Wiesenthal fecha o escritório. Em 1953, Simon Wiesenthal é informado da presença de Adolf Eichmann na Argentina. Trata-se do chefe do departamento judaico da Gestapo, responsável pela aplicação da “Solução Final”. Wiesenthal envia o dossiê a Israel. Em 1959, a Alemanha informa Telavive que Eichmann vive em Buenos Aires. Capturado por agentes israelitas, o antigo chefe nazi é extraditado para Israel onde é julgado. Condenado por genocídio, Eichmann é executado no dia 31 de Maio de 1961. A captura de Eichmann dá um novo fôlego a Wiesenthal. Com inteligência e paciência, ele recolhe e organiza, no seu novo escritório em Viena, dados por vezes considerados irrelevantes de antigos nazis até constituir um dossiê de inculpação que envia às autoridades dos respectivos países. Quando os governosnão reagem, Wiesenthal serve-se da imprensa. Foi Simon Wiesenthal quem revelou o passado nazi de Kurt Waldheim, antigo presidente austríaco e secretário-geral da ONU, se bem que Waldheim não cometeu quaisquer crimes de guerra. Sobrevivente dos campos da morte, Wiesenthal bateu-se sobretudo pelo dever de memória. “Se esquecermos, se ignorarmos o passado, se falsificarmos o que aconteceu, então o passado voltará a nós. E nós e os nossos descendentes não seremos capazes de construir um futuro humano e justo.” Quando se retirou em 2003, Wiesenthal resumiu da seguinte forma a sua missão: “Os criminosos que procurei, encontrei-os. Sobrevivi a todos eles”.