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Polónia: Direita a caminho do poder

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Polónia: Direita a caminho do poder

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Dezasseis anos depois da queda do comunismo, a Polónia prepara-se para assistir à chegada da direita ao poder. Um triunfo anunciado pelas sondagens e facilitado pelos escândalos que marcaram os quatro anos de governação duma aliança de centro-esquerda. Conservadores e liberais já anunciaram que vão formar uma coligação que, segundo os estudos, ficará com 3/4 dos 460 lugares no Parlamento. O interesse dos eleitores volta-se, por isso, para as presidenciais agendadas para 9 de Outubro.

À frente em quase todas as sondagens para as legislativas, a Plataforma Cívica comanda também a corrida para a sucessão de Alexander Kwasniewski. Donald Tusk, de 48 anos, é o favorito para as presidenciais. Jan Rokita poderá ser o futuro primeiro-ministro. Os liberais prometem uma taxa única para os impostos sobre o rendimento e lutar contra a corrupção, reduzindo a força da burocracia e reforçando o poder judicial. Os conservadores concordam com este último ponto mas querem criar um gabinete de luta contra a corrupção. O partido católico conservador – Direito e Justiça -, têm em Jaroslaw Kaczynski, o candidato a primeiro-ministro, e no seu irmão gémeo, Lech Kaczynski, o pretendente à presidência. O desemprego, que afecta mais de 18% da população, é a grande nódoa num currículo económico impressionante da Polónia, que cresce a um ritmo anual superior aos cinco por cento. Os conservadores prometem reduzir o desemprego para metade até 2009, através duma política de obras públicas e benefícios fiscais, mas sem mudanças no código laboral. Isso valeu-lhes o apoio do sindicato Solidariedade, que desconfia das reformas liberais propostas pela Plataforma Cívica. A terceira força política polaca poderá vir a ser o Samoobrona, um partido populista de extrema-esquerda, profundamente antieuropeu que ocupa o vazio deixado à esquerda pela desilusão chamada SLD. A Aliança de Centro Esquerda, herdeira do Partido Comunista, viu os escândalos atingirem mesmo o seu candidato presidencial. Wlodzimierz Cimoszewicz chegou a estar à frente nas sondagens, mas acabou por ser obrigado a abandonar a corrida, desacreditado pelas alegações de fuga aos impostos. Isto num país onde tanto os ex-comunistas como os partidos populistas reconhecem que os lugares nas listas para o Parlamento têm um preço, pago por quem quiser abrir as portas a contactos frutíferos com o mundo empresarial.