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Argélia espera pelo resultado do referendo da reconciliação.

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Argélia espera pelo resultado do referendo da reconciliação.

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A oposição na Argélia acusa o presidente Abdelaziz Bouteflika de estar a usar o referendo para legitimar as acções terroristas no país. Mais de 18 milhões de eleitores foram chamados à urnas para o sufrágio sobre a Carta da Paz e da Reconciliação. Se o documento for aprovado, quase todos os que estiverem envolvidos na revolta de 1992 serão amnistiados. Na época, os militares anularam as eleições ganhas pelos extremistas da FIS – a Frente Islâmica de Salvação. O braço armado da FIS,(o Exército Islâmico de Salvação),instalou-se nas ruas e tentou implantar um Estado islâmico.

Nos confrontos morreram pelo menos 150 mil pessoas. Depois, em 1999, Bouteflika conseguiu uma amnistia, também pela via do referendo, para pelo menos metade dos extremistas envolvidos nos confrontos. O exército da FIS foi extinto em 2000. Agora, se Bouteflika conseguir a aprovação da Carta de Paz e Reconciliação, a amnistia que pretende vai mais longe. Caso seja aprovado, o documento vai permitir um perdão gradual e vai implicar não só os terroristas como também elementos das forças de segurança. Há quem esteja a favor da viragem de uma página na história da Argélia, mas os familiares das vítimas não pensam assim. Em vez de um perdão, querem justiça, querem que quem matou os entes queridos seja julgado, recusam-se a apagar a tragédia da memória.