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Bouteflika pede reconciliação nacional argelina

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Bouteflika pede reconciliação nacional argelina

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Os argelinos pronunciam-se esta quinta-feira em referendo sobre uma tentativa do país virar uma página sangrenta da sua história.

O presidente Abdelaziz Bouteflika apelou o mês passado à população para que vote a favor de uma amnistia para reconciliar a Argélia. Em causa está a revolta iniciada em 1992, quando o poder militar anulou as eleições ganhas pelos radicais da Frente de Salvação Islâmica. Uma intervenção que resultou na morte de, pelo menos 150 mil pessoas, que a amnistia proposta em referendo ameaça apagar da memória. Apesar das promessas de perdão, caso os eleitores aprovem o plano de reconciliação nacional, muitos argelinos não parecem dispostos a esquecer. é o caso de um antigo militar, que afirma não ir votar “enquanto não forem descobertos os corpos da sua família”. De um grupo de 9 pessoas, apenas escapou uma criança, que conseguiu esconder-se. Apenas uma história, semelhante a tantas outras que contam, desde o início da década de noventa, o desaparecimento de milhares de pessoas. A ser aprovado, o plano de reconciliação deverá condiderar os milhares dedesaparecidos, como vítimas de tragédia nacional, e prevê a extinção dos processos judiciais contra todos os indivíduos que renunciem à luta armada. O plano do presidente Bouteflika é visto pela oposição argelina como uma forma de esconder a penosa questão dos desaparecidos e ainda como um meio de reforçar o poder do actual chefe de estado argelino.