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Turquia: o "desafio muçulmano" da União Europeia

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Turquia: o "desafio muçulmano" da União Europeia

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A entrada da Turquia na União Europeia representa um importante desafio geopolítico, financeiro e institucional para os Vinte Cinco. Mas permitirá estabelecer uma ponte entre a Europa e um grande país muçulmano.

Para se alinhar com os Europeus, Ancara concretizou importantes reformas. Aboliu a pena de morte, aliviou as restrições contra a liberdade de expressão e as minorias não-muçulmanas e comprometeu-se constitucionalmente contra a discriminação sexual. Proibiu e agravou as penas contra todas as formas de tortura e o poderoso Conselho de Segurança Nacional foi reduzido a um papel de consultor. Em Outubro de 2004, os Vinte Cinco mostraram-se atentos, mas satisfeitos com os progressos na Turquia, e a 17 de Dezembro formalizaram um acordo que previa o início das negociações para Outubro de 2005. Mas as recentes exigências do Parlamento Europeu para que Ancara reconheça o genocídio arménio e a República de Chipre antes de uma eventual adesão, causaram descontentamento na Turquia. Em Julho, Ancara assinou um protocolo adicional que amplia o acordo aduaneiro turco aos dez novos membros da União, mas sublinhou que isso não implicava o reconhecimento da república cipriota. Ancara tem vários assuntos por resolver, se quer levar a bom porto um processo iniciado há mais de 4 décadas. Um bom exemplo são os curdos, que se manifestaram ontem em Bruxelas pelo reconhecimento do Curdistão e sua inclusão nas negociações da Turquia. Os turcos começam também a virar costas à Europa. Dezenas de milhar de nacionalistas manifestaram-se hoje em Ancara contra o início das conversações.