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O longo caminho de Ancara a Bruxelas

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O longo caminho de Ancara a Bruxelas

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Em 17 de Dezembro de 2004, os Vinte e Cinco puseram-se de acordo sobre a data de 3 de Outubro para o início das negociação de adesão da Turquia à União Europeia. Ancara respirava de alívio: uma etapa importante do processo tinha sido ultrapassada.

A União impôs como condições a assinatura do protocolo de extensão do acordo aduaneiro que Ancara tem com Bruxelas, aos dez novos Estados membros e a reforma do Código Penal turco. O governo da Turquia satisfaz as duas condições. No dia 27 de maio de 2005 o parlamento turco aprova as reformas judiciais e a Turquia assina o protocolo aduaneiro, mas acrescenta uma declaração que fez gelar a Europa: A Turquia declara que não considera a república do Chipre como um Estado soberano, representando toda a ilha e os portos e os aeroportos turcos continuam interditos aos navios e aos aviões cipriotas. Esta questão tirou o sono, durante quase 50 dias, aos representantes dos Vinte e Cinco em Bruxelas, que se debruçaram sobre o dossiê das negociações. No seu papel de intermediária, a presidência britânica – defensora da adesão da Turquia – foi muito criticada por gregos e cipriotas. Finalmente em 21 de Setembro surge a declaração conjunta que impõe a reavaliação de todas as questões, incluso a questão de Chipre, de novo, em 2006. A União pede nomeadamente a aceitação completa e não discriminatória do protocolo aduaneiro assim como a supressão de todos os obstáculos à livre circulação de mercadorias. A outra questão, o reconhecimento pela Turquia da República do Chipre é o grande paradoxo das aspirações turcas: o desejo de entrar num clube sem reconhecer e aceitar a legitimidade de um dos seus membros.