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ElBaradei surpreendido pelo Nobel da Paz

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ElBaradei surpreendido pelo Nobel da Paz

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É a nona vez que a ONU é recompensada pelo Comité Nobel, directamente, ou como foi o caso agora e em 2001, através das suas agências. De resto, é uma tradição o reconhecimento e a recompensa aos anti-nucleares por ocasião dos grandes aniversários dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. Assim, 60 anos após Hiroshima, Mohamed ElBaradei e a sua Agência Internacional de Energia Atómica foram recompensados com este prestigiado prémio.

A 5 de Junho de 1997 este egípcio sucede ao sueco Hans Blix na chefia da agência, da qual é membro desde 1984. A partir daí, sem dar tréguas, luta pela não-proliferação nuclear no mundo e torna-se célebre pela sua independência, nem sempre apreciada. Em 2003 foi o primeiro director da AEIA a deslocar-se a Bagdade e, no regresso a Nova Iorque, tentou convencer Washington de que o Iraque não tinha armas de destruição maciça. “Até agora não encontrámos provas da existência de armas nucleares proibidas ou de actividades nucleares no Iraque. A experiência da AIEA em ivestigação sobre o nuclear permite verificar a presença ou a ausência de armas nucleares mesmo sem a colaboração dos Estados que estão a ser inspeccionados”, afirmou. O futuro viria a dar-lhe razão. Para o grande público, a Agência Internacional de Energia Atómica continua a ser uma entidade difusa da qual se ouve falar apenas em grandes crises como o acidente de Chernobyl, em 86, ou a descoberta do programa nuclear do Iraque em 91, ou, mais recentemente, o dossiê do Irão. Doutorado em Direito Internacional, ElBaradei foi durante 20 anos um diplomata ao serviço das Nações Unidas. Costuma dizer que “a diplomacia e a verificação andam de mãos dadas e quando assim é as coisas funcionam”. Mas a sua nomeação não satisfaz toda a gente. As críticas não se fizeram esperar. Há quem diga que é política e errada e até já lhe chamaram um “erro histórico”.